Trump afeta fortunas do mercado imobiliário
By Iris Andrade
Donald Trump Pressiona pelo Corte de Juros e Pode Reforçar Mudanças no Federal Reserve
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantém uma forte preocupação em relação às taxas de juros. Desde a crise financeira global de 2008, ocasionada pela explosão da bolha imobiliária do subprime, Trump tem buscado reduzir os juros para estimular a recuperação do mercado imobiliário e impulsionar os preços. No seu atual contexto político, ele tem tentado influenciar o Federal Reserve Bank a diminuir as taxas, chegando a ameaçar substituir o presidente Jerome Powell antes do término de seu mandato, previsto para maio de 2026.
Nomes em Sintonia com Trump para Liderar o Federal Reserve
De acordo com informações do Wall Street Journal, nos bastidores do governo Trump circulam nomes considerados potenciais indicações para assumir a presidência do Federal Reserve. Esses nomes surgem especialmente em caso de eventual pedido de demissão de Powell, embora o próprio líder do Fed já tenha descartado essa possibilidade. Ambos os nomes têm em comum o primeiro nome, Kevin, e são ligados ao partido republicano.
Entre os cotados, destaca-se Kevin Hassett, que foi um dos principais assessores econômicos de Trump. Sua nomeação representaria uma mudança na direção do Fed, desafiando a preferência inicial por Kevin Warsh, ex-governador do banco central e considerado favorito na época. Trump optou por não indicá-lo há oito anos, e círculos políticos mantêm a desconfiança de que Warsh possa não ser um apoiador de juros mais baixos, alinhando-se assim ao perfil de Hassett.
Cenário de Mercado Imobiliário sob Perspectiva do JP Morgan
O banco de investimentos JP Morgan apresentou sua análise semanal sobre as dificuldades que o mercado imobiliário pode enfrentar caso entre em uma fase de recessão. Segundo o relatório, a crescente atenção às questões inflacionárias, às mudanças nas taxas de juros e às políticas comerciais do governo elevam as possibilidades de uma recessão, que influenciaria diretamente o performance do setor imobiliário comercial.
Para compreender os efeitos de uma recessão sobre o mercado, o JP Morgan conversou com especialistas de destaque, como Tom LaSalvia, da Moody’s, e Ginger Chambless, da equipe de pesquisa do banco. As conclusões indicam que mesmo uma recessão leve pode afetar de formas distintas as diferentes categorias de ativos imobiliários.
Perspectivas sobre Recessão e Impactos nos Setores Imobiliários
Segundo a análise, há uma probabilidade elevada de recessão até maio de 2025, ainda que essa chance esteja abaixo dos 50% de acordo com o JP Morgan Research. A Moody’s estima um risco entre 50% e 60%. Chambless destacou a dificuldade de distinguir se o momento atual representa uma fase de desaceleração ou o início efetivo de uma recessão.
- Setores mais resilientes: o setor multifamiliar e o industrial tendem a sentir menos os impactos de uma crise, beneficiados por fatores cíclicos favoráveis e por problemas ainda persistentes na oferta de moradias acessíveis.
- Impacto nos demais segmentos: imóveis comerciais de alto padrão, especialmente os de escritórios, podem manter sua performance, mas há possibilidade de busca por imóveis de menor classe, como B e C, por parte dos empregadores em busca de economia.
Varejo e Escritórios em Tempos de Crise
O cenário de recessão também influencia outros segmentos, como varejo e escritórios, tanto nos EUA quanto no Brasil. Os centros comerciais de bairros, especialmente aqueles que têm supermercados como âncoras, permanecem em bom ritmo mesmo em períodos difíceis. Especialistas dizem que setores como fast fashion e varejo de luxo costumam resistir bem às crises econômicas.
Por outro lado, segmentos que atendem às classes média e trabalhadora, incluindo lojas de departamento, tendem a sofrer mais durante momentos de recessão.
Quanto ao mercado de escritórios, observa-se uma mudança significativa nos tipos de imóveis utilizados. Edifícios de alta categoria, com amplas comodidades, continuam a ter baixa vacância, mas, em tempos de crise, as empresas podem optar por imóveis de menor padrão para economizar custos. Assim, o mercado evolui na busca pelo equilíbrio entre diferentes modelos de espaço de trabalho, em resposta às novas dinâmicas do trabalho remoto, híbrido e presencial.
Embora o contexto econômico seja diferente, o impacto de uma recessão sobre o mercado imobiliário apresenta semelhanças em diversos países, inclusive no Brasil, sinalizando a necessidade de estratégias de adaptação por parte dos investidores.
Fonte: informações de mercado e análise de especialistas (sem link ou propaganda).