Tendência pode virar código de pertencimento? Entenda
By Iris Andrade
Arquiteto Maurício Arruda ressalta diferença entre tendência e código de pertencimento em Caxias do Sul
Em Caxias do Sul, durante o evento Vozes da Arquitetura, o arquiteto Maurício Arruda — conhecido por apresentar o programa Decora, do GNT, entre 2016 e 2020 — participou de uma palestra que abordou protagonismo do morador, consumo consciente e sustentabilidade nos projetos.
Arruda, que hoje comanda o escritório Todos Arquitetura, esteve na cidade nesta terça-feira (23) para discutir como o design pode refletir estilo de vida, memórias afetivas e responsabilidade ambiental.
Protagonismo do morador e a essência da profissão
“A profissão vive um reencontro com sua essência ao colocar o cliente no centro do processo criativo.”
Durante a fala, Arruda ressaltou que a arquitetura atual tende a colocar o morador no centro das decisões, indo além de soluções estéticas ou funcionais e buscando traduzir valores, sonhos e experiências de vida em cada projeto.
Entre tendência e prática sustentável
O palestrante classificou microtendências — muitas vezes geradas nas redes sociais e com duração curta — e macrotendências, que sinalizam mudanças reais de comportamento. O home office foi citado como exemplo de mudança de rotina que exige móveis que convivam com conforto e estilo, sem perder a função.
“Não confunda tendência com código de pertencimento. Comprar algo só porque ‘todo mundo tem’ é consumo; é preciso perguntar se aquilo faz sentido para a sua vida.”
Além disso, Arruda destacou a importância de valorizar a memória e a afetividade nos ambientes, sugerindo que peças com significados podem acompanhar mudanças ao longo do tempo, ganhando novas funções sem perder utilidade.
Três diretrizes de sustentabilidade para diferentes perfis
- Iniciante: sustentabilidade afetiva, com móveis que duram mais e menos descarte.
- Intermediário: atenção à origem dos materiais e opções com insumos reciclados.
- Avançado: sustentabilidade socioeconômica, priorizando produção local, cooperativas e jovens designers no Brasil.
Ao encerrar a apresentação, Arruda reforçou que a relação entre morador e arquiteto pode ser democrática e colaborativa, tornando o projeto mais duradouro e alinhado com a vida de quem mora nele.
Vozes da Arquitetura reuniu profissionais e estudantes para debater o papel da arquitetura no cotidiano, com foco no protagonismo do usuário e em soluções sustentáveis que dialogam com a memória afetiva das pessoas.
Fonte Pioneiro