Sindicato acusa Itaú após demissões em massa
By Iris Andrade
Contexto dos desligamentos e ação judicial
No dia 8 de setembro de 2025, o Itaú anunciou a demissão de cerca de 1 mil funcionários em âmbito nacional. A decisão, tomada sem comunicação prévia ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, provocou reação imediata da entidade, que protocolou na Justiça uma ação contra o banco. A defesa sindical sustenta que as dispensas violam regras de negociação previstas em instrumentos coletivos, gerando um choque entre práticas sindicais e interpretação da legislação trabalhista vigente.
Dados corporativos e dimensão dos cortes
O Itaú mantém cerca de 90 mil funcionários ativos, segundo informações oficiais da instituição. Assim, a demissão de 1 mil trabalhadores representa pouco mais de 1% do quadro. O movimento sindical destaca, porém, o contraste entre o registro de lucros expressivos — o banco divulgou lucro líquido na casa de 22,6 bilhões de reais no período — e o impacto humano das dispensas.
Questões legais em jogo
O centro do debate é a aplicação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) frente à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Para o sindicato, a dispensa coletiva deveria ocorrer apenas após negociação com a representação da categoria. Por outro lado, especialistas apontam que a reforma trabalhista retirou a obrigatoriedade de consulta a sindicatos ou ao Ministério Público em casos de demissões em massa, o que coloca a Justiça diante da decisão sobre qual norma predomina na prática.
Analistas ressaltam que, mesmo com a dispensa, o Itaú manteve suas operações em todas as áreas, o que alimenta o debate sobre a necessidade econômica real das demissões versus o peso das convenções coletivas no cenário atual.
Reações, motivações e próximos passos
A presidente do sindicato, Neiva Ribeiro, classificou a ação como “um ataque aos trabalhadores” e afirmou que um banco com lucros significativos não pode tratar empregados como números descartáveis. Do lado do Itaú, não houve manifestação pública sobre os desligamentos até o momento, o que reforça críticas relacionadas à transparência no processo de desligamento.
Especialistas apontam que o tribunal deverá avaliar se prevalece a letra da CLT ou a força dos acordos coletivos firmados pela categoria. O desfecho pode estabelecer precedentes relevantes para futuras demissões coletivas em grandes empresas, especialmente no setor financeiro.
Impactos e perspectivas
O caso é visto como estratégico por representar um possível precedente nacional sobre a aplicação de convenções coletivas diante de reformas trabalhistas. Enquanto o Itaú busca reorganizar operações diante do avanço de canais digitais, a necessidade de equilíbrio entre ganhos bilionários e responsabilidade social permanece em foco. O desfecho pode influenciar decisões de outras empresas quanto à forma de conduzir demissões em massa no Brasil.