Setor imobiliário surpreende com alta nos lançamentos mesmo com juros altos
By Iris Andrade
Novo cenário do mercado imobiliário revela crescimento mesmo diante das altas taxas de juros
Apesar do ambiente econômico desafiador e do aumento expressivo nas taxas de juros, o setor imobiliário revelou sinais de resiliência ao registrar um crescimento de 18,6% no volume de lançamentos em 2024. Este dado evidencia uma recuperação gradual da confiança das incorporadoras, que continuam investindo em novos projetos, mesmo com os custos financeiros elevados.
Conforme informações de um estudo recente realizado pela Grant Thornton, uma das principais firmas globais de auditoria e consultoria, os resultados positivos no setor refletiram um forte desempenho durante o último trimestre do ano passado. O lucro líquido do segmento saltou para R$ 1,7 bilhão no período, representando um crescimento de 104% em relação ao mesmo trimestre de 2023. No acumulado anual, as receitas totalizaram cerca de R$ 46,1 bilhões, evidenciando um avanço de 23,7% em relação ao ano anterior.
Outra evidência dessa recuperação é o aumento de 20,9% nas vendas, mesmo diante de um cenário de juros mais elevados, o que, normalmente, dificulta o acesso ao crédito. Este movimento indica que a confiança no mercado imobiliário permanece forte, especialmente nos segmentos de baixa renda, impulsionados por políticas governamentais de incentivo, enquanto setores de média e alta renda podem experimentar uma fase de desaceleração.
Perspectivas para 2025
Especialistas preveem uma fase de crescimento mais moderado em 2025, com foco em uma gestão mais cuidadosa das despesas e na consolidação de projetos que ofereçam maior segurança financeira. O cenário macroeconômico, marcado pela manutenção da taxa Selic em níveis elevados, em torno de 15% ao ano, e pelo aumento contínuo do Índice Nacional da Construção Civil (INCC), que atingiu 7,54% em março passado, pressiona os custos e o acesso ao crédito.
O estudo destaca ainda que, apesar dos obstáculos, a demanda por imóveis de baixa renda se mantém robusta, motivada pelos incentivos do governo, enquanto o mercado de alta renda tende a enfrentar maior volatilidade devido à elevação das taxas de juros, à possibilidade de aumento nos distratos e ao impacto do aumento do IPTU e das despesas condominiais.
Inovação e desafios tecnológicos
Embora o setor imobiliário tenha apresentado avanços, a adoção de novas tecnologias ainda encontra obstáculos, como a escassez de mão de obra especializada e a resistência à inovação nos processos de construção civil. A busca por maior eficiência operacional é crucial para enfrentar os custos crescentes e garantir a competitividade no mercado.
Entre os indicadores financeiros, observa-se a melhora na margem líquida, que passou de 27,4% em março de 2023 para 31,3% ao final de 2024, refletindo um controle aprimorado sobre despesas. A receita totalizou R$ 46,1 bilhões em 2024, crescendo 23,7% em relação ao ano anterior. Já os custos e despesas aumentaram aproximadamente 19,9%, com despesas administrativas crescendo 10,1%, acima da inflação.
Previsões e cautela para o futuro
Segundo especialistas, o crescimento do setor imobiliário em 2024 demonstra otimismo, mas o cenário de 2025 apresenta desafios significativos. O alto custo do financiamento, devido às altas taxas de juros, limita a capacidade de compra dos consumidores e pode levar ao aumento de estoques, principalmente em empreendimentos de médio e alto padrão.
Por outro lado, áreas de menor faixa de renda continuam demonstrando potencial de crescimento, impulsionadas por políticas públicas. Mesmo assim, o setor deve adotar uma postura mais conservadora, priorizando projetos sustentáveis e estratégias que minimizem riscos econômicos e financeiros.
Fonte: Monitor Mercantil