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Setor imobiliário em alta revela desafios futuros

By Iris Andrade

O mercado imobiliário no Brasil apresentou um crescimento de 88% em 2024, conforme dados de uma recente análise de uma das principais consultorias do setor. Este avanço expressivo refletiu-se tanto na alta nas vendas quanto na quantidade de lançamentos de novos empreendimentos, fortalecendo a confiança das incorporadoras na recuperação do setor após os impactos da pandemia.

Segundo o estudo, as vendas de imóveis cresceram aproximadamente 20,9% no período, enquanto o volume de lançamentos aumentou em torno de 18,6%. Esses resultados indicam que, apesar do cenário econômico desafiador, o mercado se manteve em ritmo forte e mostrou sinais de resiliência mesmo diante de um cenário de juros elevados e inflação persistente.

Desafios previstos para 2025

Apesar dos bons números de 2024, especialistas alertam que o próximo ano trará dificuldades significativas para o setor imobiliário. A alta na taxa básica de juros, conhecida como Selic, que atingiu 14,75% ao ano em maio de 2025, torna os financiamentos mais caros e reduz o poder de compra do consumidor.

Além disso, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC-DI) mantém-se em alta, atingindo 7,54% nos 12 meses encerrados em março de 2025. Esse aumento nos custos de materiais e mão de obra tende a pressionar a rentabilidade das construtoras, especialmente aquelas que atuam no segmento de média e alta renda, onde o fluxo de caixa depende do período de execução das obras.

Impactos no mercado por segmentos

De acordo com profissionais do setor, as classes C e D, que representam imóveis de baixo valor, continuarão com forte demanda, impulsionadas por programas governamentais e incentivos públicos. Contudo, setores de médio e alto padrão deverão experimentar uma desaceleração, afetados pelo aumento nas taxas de juros, além do crescimento dos distratos e dos custos com IPTU e condomínios, especialmente na venda de unidades devolvidas.

Resiliência e mercado de luxo

Entretanto, o segmento de imóveis de alto padrão demonstra resistência. Especialistas afirmam que esse mercado mantém bases sólidas, mesmo em cenário de instabilidade. “A legislação, como a lei que regula os distratos, tem ajudado a mitigar riscos, mantendo a demanda por imóveis de luxo e superluxo”, explica Maria Regina Abdo, sócia de auditoria na consultoria.

Inovação e uso de tecnologia

Por outro lado, o setor ainda enfrenta dificuldades na adoção de novas tecnologias. A escassez de mão de obra qualificada, aliada à ausência de inovação nos processos de construção, limita a eficiência operacional das incorporadoras. Nesse contexto, a implementação de soluções tecnológicas será crucial para reduzir custos e aumentar a competitividade nos próximos anos.

Perspectivas futuras

Para 2025, a previsão é de um crescimento mais lento, com foco na gestão eficiente dos lançamentos e redução de despesas. As empresas terão que adotar uma postura mais cautelosa na definição de novos projetos, alinhando suas estratégias à instabilidade macroeconômica. O setor deve se consolidar, mas a um ritmo mais moderado, priorizando segurança financeira e rentabilidade de longo prazo.

Fonte: Radar Digital Brasília

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