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Selic estável pode frear lançamentos imobiliários, aponta CBIC

By Iris Andrade

Selic em 15% pode frear lançamentos imobiliários, aponta CBIC

Brasília — O comitê responsável pela política monetária manteve a taxa básica de juros em 15% ao ano, citando a persistência da inflação de serviços e a necessidade de ancorar expectativas. A decisão do Copom, anunciada nesta semana, sinaliza continuidade do custo elevado do crédito e gera preocupações no setor da construção sobre o ritmo de investimentos e o calendário de lançamentos imobiliários.

Impacto para o setor de construção

Para a CBIC, a combinação de juros altos e confiança do consumidor dificulta financiamentos de longo prazo, prejudicando a viabilidade de muitos projetos. O aperto monetário é visto como um impulso para frear o mercado de crédito, o que pode vir a frear novos lançamentos e, por consequência, afetar a geração de empregos no segmento.

Declarações de liderança

Renato Correia, presidente da CBIC, ressaltou: “A construção é um dos setores mais sensíveis ao custo do crédito e à confiança do consumidor. Uma Selic de 15% por um ciclo longo traz desafios, porque o setor depende de financiamento de longo prazo, e esse custo torna muitos projetos inviáveis.”

Projeções atualizadas da CBIC

No fim de outubro, a CBIC revisou a projeção de crescimento do setor para 2025 de 2,3% para 1,3%. A retificação reflete os efeitos do ciclo prolongado de juros altos, que tem limitado o ritmo das atividades da construção. Dados recentes apontam queda no PIB do setor, com −0,6% no primeiro trimestre e −0,2% no segundo, em comparação aos períodos anteriores.

Para a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, a expectativa é de que a Selic permaneça nesse patamar até a próxima reunião do colegiado, marcada para os dias 9 e 10 de dezembro. “Assim, o tão aguardado ciclo de queda dos juros poderá ter início somente a partir de meados de 2026”, afirma.

Perspectivas para o cenário de juros

Especialistas esperam que o aperto permaneça até a próxima reunião do Copom, com o provável início de uma trajetória de redução dos juros apenas no segundo semestre de 2026. Enquanto isso, as condições de crédito continuam restritas, o que pode atrasar ou inviabilizar novos empreendimentos imobiliários.

O que isso significa para o mercado imobiliário

Com a Selic elevada por um período prolongado, empresas do setor devem adotar estratégias de adaptação, como ajustear cronogramas de lançamentos, readequar custos de construção e buscar modelos de financiamento mais eficientes. O cenário atual reforça a necessidade de planejamento de longo prazo e de medidas que promovam a confiança de compradores e investidores.

Fonte: CBIC – Câmara Brasileira da Indústria da Construção.

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