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Selic em queda pode acender o mercado imobiliário e surpreender

By Iris Andrade

Selic em queda pode impulsionar o mercado imobiliário em 2026, aponta economista

A proximidade de 2026 traz expectativas de recuperação no setor de construção e vendas de imóveis, impulsionadas pela queda gradual da taxa Selic e pela realocação de investimentos rumo ao setor habitacional. A avaliação é de Ricardo Humberto Rocha, professor do Insper, que vê na redução dos juros um gatilho para ampliar a demanda por imóveis novos.

Atualmente, a Selic se mantém elevada, o que tem dificultado financiamentos e freado o ritmo do mercado. Não obstante, especialistas projetam que os juros sinalizarão baixa a partir do primeiro trimestre do próximo ano, abrindo espaço para maior acesso ao crédito e para a retomada de novos empreendimentos no curto prazo.

Cenário macro e sinais de mudança

Analistas acompanham os contratos futuros da B3, que apontam uma redução da Selic chegando a, aproximadamente, meio ponto percentual no meio do próximo ano. Embora o recuo ainda seja modesto, ele costuma ser suficiente para sinalizar uma mudança de condição de financiamento e incentivar novos projetos da construção civil.

Em termos de crescimento econômico, a estimativa permanece modesta, com o PIB previsto em torno de 2,5% para 2026. Mesmo com o recuo da Selic, não se espera que o Brasil registre avanços de dois dígitos no crescimento, pois há incertezas fiscais que limitam o ritmo de expansão.

Como a queda da Selic pode modificar a demanda por imóveis

  • Investidores tendem a realocar recursos da renda fixa para ativos imobiliários quando as condições de crédito ficam mais favoráveis.
  • O mercado pode manter a atratividade de unidades de alto padrão, especialmente em períodos eleitorais, quando a busca por ativos mais estáveis aumenta.
  • A demanda reprimida na faixa de renda média pode se aquecer à medida que o crédito se torna mais acessível e as condições de financiamento ganham fôlego.

Crédito, poupança e comportamento dos bancos

O sistema financeiro precisa equilibrar a oferta de crédito com o risco de inadimplência. À medida que a Selic cai, bancos ganham musculatura para competir com aplicações de renda fixa, o que facilita a captação de recursos e o repasse aos financiamentos imobiliários.

Com o recuo das taxas, a poupança pode ganhar atratividade novamente, além de plataformas digitais oferecerem opções atreladas ao CDI, o que tende a favorecer o financiamento habitacional com condições mais competitivas.

Inflação, câmbio e emprego

A inflação projetada para 2026 fica próxima dos números de 2025, com dificuldades para cumprir meta devido ao efeito dos gastos públicos na economia. Em relação ao câmbio, a trajetória do dólar permanece sensível ao humor do mercado e aos fluxos de capital, mas não deve reagir de forma exagerada com o repouso gradual das taxas.

No mercado de trabalho, a taxa de desemprego tem se mostrado relativamente estável, mantendo sinais de que a atividade econômica ainda opera com alguma resiliência.

Considerações sobre o cenário político e eleitoral

Com o ano de 2026 carregado de eleição, o mercado costuma considerar imóveis como ativos de certa segurança, o que pode sustentar a demanda por unidades premium e gerar movimento adicional no setor, mesmo que o crescimento econômico permaneça moderado.

Resumo

Especialistas apontam que a combinação de queda gradual da Selic, realocação de investimentos e ambiente eleitoral pode estimular o mercado imobiliário em 2026. Embora o crescimento econômico não deva acelerar de forma abrupta, a demanda por imóveis novos pode ganhar impulso à medida que o financiamento se torna mais acessível e a confiança dos compradores se afina.

Fonte: A Tribuna

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