Rio Preto revela impulso no setor imobiliário
By Iris Andrade
Rio Preto registra alta nas vendas e recuo nos lançamentos no 2º trimestre de 2025
Dados do Secovi-SP, divulgados em 11 de setembro, em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, mostram uma dualidade marcante no mercado imobiliário de São José do Rio Preto.
Nas vendas, o segundo trimestre de 2025 fechou com 1.847 unidades comercializadas, um crescimento de 73,6% frente ao mesmo período de 2024 e 51,5% acima do 1º trimestre deste ano. o desempenho ocorre em um cenário macroeconômico desafiador, com juros elevados e crédito mais restrito.
Já os lançamentos ficaram em 796 unidades, uma queda de 17,5% em relação a 2024 e de 37,1% frente ao início do ano. A queda indica cautela das incorporadoras diante de incertezas e custos de financiamento elevados, o que reduz a oferta disponível.
O estoque total permanece em 10.858 unidades, oferecendo relativa folga no curto prazo, mas podendo exigir atenção se o ritmo de lançamentos seguir em baixa. A renovação da oferta é vista como necessária para manter a diversidade de produtos no médio prazo.
Participação do Minha Casa Minha Vida
Um fator relevante para entendimento do cenário é a participação do programa habitacional. Das unidades lançadas, 34,2% (272) foram destinadas ao MCMV, enquanto das unidades vendidas, 57,6% (1.063) estavam nesse segmento. A representatividade do MCMV destaca a importância de políticas de habitação popular para aquecer o mercado local.
Interpretação do quadro e caminhos para o setor
De modo geral, Rio Preto aparece como um retrato em miniatura do mercado nacional: impulso regional aliado a travas macroeconômicas que afetam o país, como juros altos, crédito mais caro e custos de produção elevados.
A leitura aponta que a performance das vendas mostra confiança no potencial da cidade e na força da economia local. Contudo, a redução de lançamentos acende um alerta sobre o equilíbrio entre demanda e oferta, com potenciais impactos nos preços e na acessibilidade habitacional.
O desafio é encontrar um ponto de convergência. O setor privado precisa calibrar seus investimentos, enquanto o poder público deve criar condições mais favoráveis de crédito e reduzir entraves burocráticos. Assim, Rio Preto poderá sustentar o bom momento de vendas sem comprometer o equilíbrio futuro do mercado.