Revolução na construção brasileira impulsionada por inovação e sustentabilidade
By Iris Andrade
Movimento por inovação, sustentabilidade e eficiência impulsiona o setor de construção no Brasil
O mercado de construção civil no Brasil tem passado por uma transformação significativa, impulsionada por uma forte busca por inovação tecnológica, práticas sustentáveis e melhorias na eficiência energética. Essas tendências estão revolucionando a forma como os edifícios são projetados, construídos e utilizados, alinhando-se às metas globais de desenvolvimento sustentável.
Etiquetagem energética de edificações em fase de consulta pública
Diante do cenário atual, uma iniciativa importante está em andamento: a proposta de etiquetagem energética para imóveis está em consulta pública. Assim como a classificação de eficiência de eletrodomésticos, essa medida busca fornecer informações claras e acessíveis aos consumidores e gestores de grandes empreendimentos, possibilitando escolhas mais conscientes quanto ao consumo de energia e impacto ambiental.
Segundo especialistas, essa ferramenta não apenas promove uma mudança na cultura de consumo, mas também favorece a adoção de tecnologias e soluções inovadoras, como fachadas ventiladas, coberturas verdes, iluminação natural e sistemas de climatização eficientes.
Repercussões positivas para o setor e o meio ambiente
Este avanço pode transformar a construção civil brasileira ao estabelecer parâmetros mínimos de eficiência energética, alinhando o país às melhores práticas internacionais. Além de beneficiar diretamente os habitantes com economia na conta de luz e maior conforto térmico, a medida contribui para o cumprimento dos compromissos climáticos e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como energia limpa, cidades sustentáveis e combate às mudanças climáticas.
Estima-se que operações relacionadas a aquecimento, resfriamento e iluminação representem cerca de 30% do consumo mundial de energia e sejam responsáveis por aproximadamente 26% das emissões globais. No Brasil, esse dado é ainda mais relevante, já que o setor responde por quase 50% do consumo de energia elétrica, de acordo com a Companhia de Pesquisa Energética (EPE).
Inovação na construção como diferencial competitivo
Ao implementar a etiquetagem energética, projetistas e construtores são estimulados a adotar práticas mais sustentáveis e tecnicamente avançadas. A utilização de estratégias bioclimáticas, materiais de alto desempenho, energia fotovoltaica e o uso racional da ventilação natural ganham espaço, ao passo que a análise da trajetória solar e dos ventos predominantes passou a fazer parte do planejamento de novos empreendimentos.
Essa mudança de paradigma movimenta toda a cadeia de produção, incluindo fornecedores, empresas de engenharia, soluções digitais e consultorias ambientais, fortalecendo a inovação como elemento central da competitividade.
Contribuição às metas internacionais e preparação para a COP30
Adotar critérios claros de eficiência energética em edifícios solidifica a posição do Brasil na agenda global de construção sustentável. Além de promover avanços em relação às metas do Acordo de Paris, a iniciativa ajuda o país a atender às exigências dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e aumenta sua influência em fóruns internacionais.
Essa iniciativa chega em um momento estratégico, uma vez que a próxima Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas — COP30 — será sediada em Belém, em novembro de 2025. Nesse cenário, o setor da construção tem ganhado destaque nas discussões sobre financiamento climático, transição energética e inovação responsável.
Alterações culturais e o impacto nas cidades do futuro
A introdução de uma etiquetagem energética de edifícios representa uma importante inovação no mercado da construção civil. Além de fornecer informações técnicas, ela promove uma mudança na cultura de produção e consumo de imóveis, estimulando a adoção de tecnologias sustentáveis e a valorização de projetos mais inteligentes, confortáveis e de menor impacto ambiental.
De acordo com especialistas, essa medida pode provocar uma verdadeira revolução na forma como as cidades brasileiras são planejadas e construídas, levando a um futuro mais sustentável, eficiente e alinhado às demandas globais de combate às mudanças climáticas.
Expertise acadêmica e perspectivas para o setor
De acordo com Thais Scharfenberg, especialista em adaptação climática e ESG, e Victor Del Vecchio, advogado e mestre pela USP, a inovação na construção deve caminhar lado a lado com a sustentabilidade, buscando uma transformação real e duradoura.
Enquanto isso, o setor imobiliário e de projetos urbanos continuam atuando como agentes de mudança, adotando critérios mais rígidos e tecnológicos, impulsionando a indústria para uma nova era de responsabilidade ambiental e social.
Fontes
Fonte: Exame