Reforma tributária pode mudar o aluguel?
By Iris Andrade
Reforma tributária pode alterar preços dos aluguéis
A mudança tributária que entra em vigor em 2026 deve provocar impactos significativos no mercado imobiliário. A criação de dois tributos, o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), está prevista na Lei Complementar nº 214/2025, com o objetivo de simplificar o sistema, aumentar a transparência e reduzir brechas para sonegação.
Quem será atingido
As novas regras visam diferentes situações, dependendo de quem é o contribuinte.
Pessoas físicas
Nem todos os proprietários terão de pagar os novos tributos. A cobrança passa a valer apenas para quem tiver mais de três imóveis alugados e renda anual superior a R$ 240 mil. Mesmo nesses casos, há mecanismos de redução. Um desconto de 70% na base de cálculo diminui o imposto devido.
Além disso, contratos residenciais continuarão a ter um abatimento específico: há uma dedução fixa de R$ 600 por mês. Assim, em um aluguel de R$ 2.600, o imposto incidirá apenas sobre R$ 2.000. O Imposto de Renda continuará sendo pago conforme a tabela progressiva vigente.
Pessoas jurídicas
Para as empresas, os atuais tributos PIS e Cofins incidentes sobre receitas de aluguel serão substituídos pelo IBS e CBS. A alíquota nominal fica entre 25% e 27%, mas, com o desconto de 70% na base de cálculo, a carga efetiva fica entre 8% e 10%.
Empresas que hoje pagam PIS e Cofins podem registrar um aumento real na tributação sobre a receita de aluguéis, exigindo planejamento financeiro mais cuidadoso.
Impacto no aluguel e possível repasse
A lei prevê que parte do custo tributário possa ser repassada ao inquilino. Os contratos de aluguel poderão discriminar de forma clara o valor correspondente aos tributos, aumentando a transparência, mas potencialmente elevando o preço final.
Por isso, especialistas recomendam que proprietários, locatários, imobiliárias e administradoras revisem contratos atuais, atualizem cadastros e ajustem cláusulas para evitar problemas futuros e manter a conformidade com a nova legislação.
O que mudar no dia a dia
- Revisar cadastros de imóveis alugados e renda anual para verificar elegibilidade.
- Avaliar cláusulas contratuais que envolvam a cobrança de tributos e o repasse ao inquilino.
- Planejar impactos financeiros com base nas novas alíquotas efetivas.
- Atualizar contratos de locação com discriminação clara de tributos quando aplicável.
Fontes da informação: Lei Complementar nº 214/2025 e cobertura sobre o tema para o mercado imobiliário.
Fonte: O Povo Trends