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Recife: mapa muda, descubra bairros novos

By Iris Andrade

Recife redefine seu mapa imobiliário com expansão para bairros emergentes

Publicado em 6 de setembro de 2025, por Lucas Moraes

Uma pesquisa inédita encomendada pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE), realizada pela Brain Inteligência Estratégica, aponta um cenário de crescimento robusto no mercado imobiliário da Região Metropolitana do Recife e destaca uma transformação perceptível no perfil de lançamentos. Os dados do segundo trimestre de 2025 indicam uma dupla direção de crescimento: o segmento de luxo e o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) aparecem como motores importantes, impulsionando inclusive a ocupação de novas áreas na cidade.

Mudanças no mix de produtos e sinais de dois polos de demanda

O estudo mostra que o MCMV ampliou sua participação, crescendo cerca de 40% e passando a responder por mais da metade do mercado, com 51,7% do total. O segmento de luxo registrou alta ainda mais expressiva, 647%, elevando sua participação de 2,3% para 17,2%. Por outro lado, os produtos de médio padrão e os compactos perderam força, representando 24,1% e 6,9%, respectivamente.

Segundo o presidente da Ademi-PE, Rafael Simões, o levantamento confirma a existência de duas frentes de crescimento bem definidas: o luxo, que atrai um público em busca de itens diferenciados, e o MCMV, que assegura acesso à moradia para a maioria da população. Ele também alertou para a necessidade de novas estratégias, especialmente para o segmento de médio padrão, que vem perdendo participação.

Mercado saudável, estoque controlado e valorização

A pesquisa aponta um momento saudável para o mercado da Região Metropolitana do Recife, sem excesso de estoque. Ao longo dos últimos 12 meses, foram comercializadas 10.736 unidades, ante 9.125 lançamentos no mesmo período. O valor geral de vendas (VGV) alcançou aproximadamente R$ 4,7 bilhões, sinalizando absorção eficiente dos novos empreendimentos.

Apesar dos números elevados de lançamentos, o dirigente ressalta a importância do setor: com estoque em baixa, se nada mais fosse lançado, haveria consumo do estoque atual em nove meses. Isso reforça a necessidade de manter a oferta de novos empreendimentos para sustentar o ritmo do mercado.

O estudo também aponta valorização de preços: o metro quadrado médio em Recife ficou em torno de R$ 17.079, elevando-se 10,3% em 12 meses. Em áreas de beira-mar como Boa Viagem e Pina, o preço médio dos imóveis atingiu cerca de R$ 18.427 por metro quadrado. A oferta total de imóveis no município cresceu 12,7% entre 2021 e 2025, com a maior parte do estoque (89%) classificado como “jovem” (lançado entre 2023 e 2025) e a maioria (75,2%) composta por apartamentos de dois e três dormitórios.

Novos polos de desenvolvimento: mapa imobiliário redesenhado

A análise aponta uma concentração geográfica dos lançamentos que redesenha o mapa de atuação da cidade. Pela primeira vez, os bairros Imbiribeira (28,1%) e Vasco da Gama (23,3%) se destacam sozinhos, respondendo por mais da metade dos novos empreendimentos. Essa expansão para áreas emergentes contrasta com a queda na participação de bairros tradicionalmente valorizados, como Boa Viagem (1,9%) e Aflitos (3,6%).

Rafael Simões enfatizou que a renovação das políticas urbanas estimula a oferta por metro quadrado, enquanto a mobilidade urbana favorece a expansão para novas áreas, mesmo que haja distância física entre os imóveis e o centro. Ele reforçou a importância de manter esse estímulo para o bem-estar da população.

Roteiro dos bairros com mais lançamentos

  • Imbiribeira — 28,1%
  • Vasco Da Gama — 23,3%
  • Cais Estelita — 17,2%
  • Torre — 8,9%
  • São José — 7,8%
  • Encruzilhada — 6,4%
  • Aflitos — 3,6%
  • Poço Da Panela — 2,9%
  • Boa Viagem — 1,9%

Quem lidera as vendas de imóveis

  • Imbiribeira — 16,8%
  • Boa Viagem — 14,1%
  • Várzea — 10,6%
  • Casa Amarela — 7,4%
  • Vasco Da Gama — 7,4%

O estudo também constata que Recife representa apenas 10% do total contratado no MCMV ao longo de 15 anos, apontando para uma demanda contínua por imóveis compactos, com até três quartos, bem localizados.

Impactos e caminhos para o setor

As mudanças indicadas pelo novo mapa apontam para um estágio de adaptação do setor, com políticas urbanas e estratégias de crédito influenciando a oferta de imóveis de diferentes faixas de preço. A tendência de crescimento do segmento de luxo, aliada à expansão do MCMV, sugere que o Recife está absorvendo uma parcela relevante de imóveis de alto padrão, ao lado de opções acessíveis que atendem à demanda por moradia.

Tempo de leitura: 3 minutos

Fonte: JC – Metro Quadrado

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