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Preços de imóveis comerciais caem, mas aluguel ainda supera inflação

By Iris Andrade

Mercado de imóveis comerciais desacelera em maio, mas aluguel permanece acima da inflação

Apesar de uma desaceleração na variação de preços, o aluguel de imóveis comerciais ainda mostra uma recuperação robusta, superando índices inflacionários oficiais. Os dados indicam que, enquanto os preços de venda de salas de até 200 metros quadrados cresceram apenas 0,18% em maio, os valores de locação avançaram 0,62%, segundo levantamento do Índice FipeZAP.

Desaceleração nas variações de preços pelos dados do FipeZAP

  • Valor de venda de salas comerciais: aumento de 0,18% em maio
  • Valor de locação: alta de 0,62% no mesmo período

Apesar do crescimento positivo, as variações foram menores do que as observadas em abril, quando os aumentos haviam sido de 0,23% e 1,08%, respectivamente. Especialistas explicam que o impacto do aperto monetário iniciado em setembro de 2024 ainda não se reflete claramente nesse segmento.

Análise de especialistas e tendências de mercado

A economista do DataZAP, Paula Reis, destaca que a ausência de sinais claros de desaceleração nos preços de imóveis comerciais de até 200 metros quadrados difere do comportamento esperado diante de uma política de juros mais restritiva. Ela observa que, enquanto o índice de locação desacelerou pela segunda vez, o de venda apresentou aumento discreto, indicando que o mercado ainda não sente plenamente o efeito da política monetária.

Para uma análise mais precisa, ela recomenda considerar as variações acumuladas em 12 meses. Entre abril e maio de 2024, a variação do preço de locação recuou de 7,83% para 7,30%, enquanto o preço de venda aumentou de 1,34% para 1,42%. Esses números sugerem que o mercado de locação continua aquecido, enquanto o de venda apresenta sinais suaves de desaceleração, contrariando a expectativa de uma desaceleração geral.

Indicadores adicionais e desempenho regional

Outros fatores, como melhorias nos índices de emprego e atividades comerciais, também colaboram para a manutenção da alta. Segundo Paula Reis, esses indicadores continuam em ritmo de melhora, apoiando a tendência de estabilidade do mercado.

Os alugueis comerciais continuam com alta significativa, com a variação de 12 meses de 7,30%, superior à inflação oficial medida pelo IPCA, que foi de 5,32% no período, e do IGP-M, índice conhecido como a inflação dos alugueis, que subiu 7,02%.

Destaques regionais

  • Curitiba: maior valorização de venda no ano, com alta de 12,55%
  • Niterói: destaque na alta de locação, com crescimento de 19,18%

Cidades com maiores variações

  • Venda (12 meses): Curitiba (+12,55%), Niterói (+4,58%), Florianópolis (+4,15%)
  • Aluguel (12 meses): Niterói (+19,18%), Curitiba (+14,83%), Campinas (+10,88%)

São Paulo permanece na liderança de preços

Em maio, o preço médio de venda de imóveis comerciais na capital paulista atingiu R$ 10.290 por metro quadrado, enquanto o aluguel médio ficou em R$ 56,43 por metro quadrado. A cidade mantém seu protagonismo no mercado, refletindo alta constante na valorização.

Perspectivas de rentabilidade

Para investidores, o segmento de imóveis comerciais ainda oferece boas oportunidades. O retorno médio do aluguel comercial foi de 6,87% ao ano, acima da média residencial, que ficou em 5,93%. Salvador lidera as cidades mais atrativas, com uma rentabilidade de 10,05% ao ano.

No entanto, mesmo com rentabilidade positiva, os rendimentos do aluguel comercial continuam abaixo do retorno obtido em aplicações financeiras tradicionais, influenciando o perfil de investimentos nesse segmento.

Destinos principais para retorno com aluguel comercial

  1. Salvador: 10,05% ao ano
  2. Campinas: 8,34% ao ano
  3. Brasília: 7,05% ao ano
  4. São Paulo: 6,86% ao ano
  5. Niterói: 6,59% ao ano

Considerações finais

Apesar da desaceleração nos preços de venda, o mercado de aluguel permanece aquecido, com alta que supera a inflação. Os indicadores sugerem estabilidade e continuidade da tendência de valorização em várias regiões do país, especialmente em cidades como Curitiba, Niterói e São Paulo.

Fonte: Infomoney

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