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Poupança em queda: o motor da incorporação

By Iris Andrade

Mercado de capitais assume papel central na incorporação imobiliária

Em um cenário de juros altos e recursos limitados da poupança, o financiamento da produção imobiliária está sendo redesenhado. O mercado de capitais desponta como alternativa importante ao crédito tradicional, oferecendo soluções mais flexíveis para incorporadoras que precisam de funding para tocar obras.

Durante o painel Mercado de Capitais e Papel das Instituições Financeiras no Crescimento da Incorporação Imobiliária, realizado no evento Incorpo 2025 em São Paulo, o executivo da XP Inc, Bruno Gargiolli, destacou a força da inovação nesse setor. “A grande beleza do mercado de capitais é a não padronização. Não existe um único produto, mas uma variedade de opções e uma cultura diferente, de construir soluções sob medida”, afirmou.

“A grande beleza do mercado de capitais é a não padronização. Não existe um único produto, mas uma variedade de opções e uma cultura diferente, de construir soluções sob medida.”

Custo de crédito e avanços em instrumentos híbridos

Com a elevação da taxa Selic e o aumento do custo de funding, o cenário estimulou o uso de instrumentos que caminham entre dívida e capital. Modelos como semi-equity e equity preferencial ganham espaço, assim como o papel crescente dos fundos imobiliários (FIIs) que passam a adquirir participações ou estoques de projetos. Segundo Gargiolli, essas ferramentas ajudam a ampliar obras e a reciclar o capital dos empresários, atuando de forma complementar aos bancos.

CRIs ganham espaço, mas ainda há desafios

Entre as alternativas, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) aparecem como uma das soluções mais eficazes para financiar obras. Contudo, o executivo apontou que o avanço é desigual entre os elos do setor. “Os CRIs têm sido o produto mais providente, mas falta uma solução de longo prazo com custo e prazo adequados para o consumidor”, afirmou. A transição demanda tempo e adaptação de incorporadoras e financiadores.

Profissionalização e governança atraem incorporadoras de médio porte

A migração para o mercado de capitais impõe novas exigências para empresas de médio porte. Carla Taynara de Brito Dutra, CEO da MS Empreendimentos, ressaltou a necessidade de profissionalização, transparência e governança. “Foi preciso ajustar a gestão, instituir conselhos, adotar auditorias e comprovar a qualidade da governança. É um caminho obrigatório para quem quer acessar esse funding”, afirmou. Em mercados regionais, como Santa Catarina, há um grande conjunto de incorporadoras com liquidez e baixo índice de inadimplência cuja soma é significativa para o segmento.

Regulação e registro: caminhos para mais crédito

Segundo Rodrigo Furiato, vice-presidente de Negócios da Núclea, a agenda de modernização regulatória liderada pelo Banco Central deve ampliar o acesso ao crédito e aumentar a segurança jurídica das operações. O registro de recebíveis imobiliários e serviços como o boleto dinâmico devem trazer mais transparência e previsibilidade, facilitando a atuação de financiadores e promovendo competição saudável.

Fonte: InfoMoney

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