Skip to content

Por que Santa Catarina virou o destino favorito de migrantes

By Iris Andrade

Santa Catarina lidera o crescimento populacional por migração entre estados brasileiros

Entre 2017 e 2022, Santa Catarina se destacou como a unidade federativa que mais atraiu novos moradores provenientes de outras regiões do Brasil. Segundo dados do Censo 2022 divulgado pelo IBGE, o estado recebeu 503.580 pessoas vindas de diferentes partes do país, o que representou um aumento de 4,66% na sua população total. Essa movimentação muda o panorama do Sul e desperta interesse sobre as razões que tornam Santa Catarina um destino tão procurado.

Razões econômicas e estabilidade no trabalho são grandes atrativos

De acordo com Lauro Francisco Mattei, professor da UFSC e especialista em políticas públicas, três fatores principais contribuem para essa migração em direção ao estado:

  • Baixo índice de desemprego
  • Alta formalização das relações de trabalho
  • Renda média acima da média nacional

“Esses elementos indicam um mercado de trabalho sólido, com boas oportunidades de emprego e salários compatíveis”, explica Mattei. Dados recentes da PNAD Contínua apontam que Santa Catarina retomou a liderança do ranking nacional de menor taxa de desemprego, atingindo apenas 3% da população economicamente ativa fora do mercado, diante da média nacional de 7%.

Alta qualidade de vida e segurança pública reforçam o apelo

Além da economia, Santa Catarina possui outros atrativos que conquistam moradores. O estado aparece entre os lugares com menor índice de violência, conforme o Atlas da Violência, além de abrigar algumas das cidades com melhor padrão de qualidade de vida do país.

Essa combinação de fatores também é especialmente relevante para aposentados que buscam tranquilidade e cidades litorâneas com bom padrão de vida. “Cidades como Balneário Camboriú, por exemplo, têm uma forte presença de moradores acima de 60 anos com bom poder aquisitivo”, comenta Mattei.

Valorização imobiliária e migração regional intensificam-se

O mercado imobiliário acompanha esse crescimento, com destaque para as cidades com maior valorização de imóveis no Brasil. Segundo o índice FipeZap, Balneário Camboriú, Itapema, Itajaí e Florianópolis estão entre as cinco mais valorizadas do país.

Grande parte dos migrantes vem especialmente de estados vizinhos, como Rio Grande do Sul (134,8 mil), Paraná (96,1 mil), São Paulo (62,4 mil) e Pará (44,9 mil). A forte presença de moradores dos estados próximos pode ser atribuída à facilidade de deslocamento e à similaridade em infraestrutura, saúde e educação, segundo especialistas.

O dado mais surpreendente foi o crescimento na migração vinda do Pará, que em 2010 não figurava entre os principais estados emissores de moradores para Santa Catarina.

Imigrantes estrangeiros também encontram boas oportunidades

O número de estrangeiros e naturalizados no estado triplicou, passando de 17,6 mil em 2010 para 83,4 mil em 2022. A maior concentração desses residentes está em cidades como Chapecó, Florianópolis e Joinville.

Chapecó, a maior cidade do oeste de Santa Catarina, lidera com 11.189 pessoas de origem estrangeira. Muitas dessas pessoas, principalmente haitianos e venezuelanos, encontram vagas nas agroindústrias locais, especialmente nos frigoríficos.

Hoje, Santa Catarina ocupa a quinta posição no ranking de estados com maior número absoluto de habitantes vindos de outros locais do Brasil ou do exterior, totalizando aproximadamente 1,8 milhão de pessoas.

Movimentação e saída de moradores

Apesar do saldo de migração positivo, Santa Catarina também registrou a saída de cerca de 149.230 pessoas entre 2017 e 2022. Os principais destinos desses moradores foram o Paraná (55,8 mil), Rio Grande do Sul (37,2 mil) e São Paulo (19,9 mil). Outras regiões, como Mato Grosso, Minas Gerais e Bahia, também receberam migrantes do estado.

Esses dados, obtidos a partir das respostas ao Censo 2022, indicam que muitos dos moradores que deixaram Santa Catarina migraram há cerca de cinco anos, buscando novas oportunidades ou melhores condições de vida em outros estados.

Fonte: G1.globo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *