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Por que o imobiliário resiste a juros altos?

By Iris Andrade

Mercado Imobiliário surpreende mesmo com Selic no teto

Com a Selic em 15% — o nível mais alto desde 2006 — a expectativa era de menor fôlego para o setor. No entanto, dados recentes indicam o oposto: venda de imóveis em alta e incorporadoras com margens estáveis. A explicação envolve três pilares: financiamento cada vez mais maduro, competição reformulada entre players e uma mentalidade de compradores com visão de longo prazo.

Três motores da resiliência

  • Financiamento robusto: instrumentos de origem imobiliária ganharam protagonismo ao converter dívidas do setor em títulos negociáveis, ampliando a disponibilidade de capital para empreendimentos.
  • Mercado mais competitivo: a competição se tornou prática entre escalas diferentes—grandes incorporadoras, boutiques de patrimônio e plataformas que promovem qualidade de vida; tudo apoiado por soluções tecnológicas.
  • Preços ajustados pela inflação: aluguéis e reajustes de valores caminham junto com a inflação ao longo do tempo, tornando o imóvel um ativo com proteção de poder de compra num cenário de juros elevados.

Demanda guiada pela percepção de valor

O comportamento de compra fica mais sofisticado nos segmentos médios e de alto padrão. Nesse recorte, compradores não avaliam apenas o custo imediato, mas consideram a escassez futura de terrenos privilegiados e a possibilidade de manter ativos de qualidade ao longo do tempo. Essa lógica de longo prazo sustenta a solidez de grandes incorporadoras, que conseguiram absorver custos de capital mantendo margens positivas.

Base estável do mercado

A sustentação do setor depende de dois pilares fundamentais. O primeiro é a estabilidade do emprego formal, que oferece previsibilidade de renda e viabiliza o financiamento. O segundo é o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, que funciona como âncora de demanda no segmento de entrada. Juntos, esses elementos criam uma base de consumo que sustenta tanto o varejo quanto os empreendimentos de alto padrão.

Competição evolui: três propostas de valor

A disputa no mercado se reorganiza em torno de três estratégias de valor:

  1. Escala: grandes players utilizam o mercado de capitais para reduzir custos e ampliar o volume de entregas.
  2. Exclusividade: boutiques apostam em curadoria e experiência autoral, priorizando qualidade sobre tamanho dos empreendimentos.
  3. Pertencimento: plataformas que vendem qualidade de vida e estilo de vida associado ao imóvel, indo além da simples localização.

O papel da tecnologia e da inovação

A tecnologia emerge como grande equalizador, democratizando ferramentas de gestão e análise. Proptechs como IBVI e Loft ampliaram o leque de soluções — desde a avaliação de terrenos com predição até modelos BIM (Building Information Modeling) —, deixando de ser monopolio das maiores companhias. Isso elevou a agilidade operacional e ampliou a capacidade de ofertar produtos com alto valor agregado.

Demografia e liquidez: uma nova geração de riqueza

Um movimento demográfico significativo sustenta a demanda: famílias menores acumulam patrimônio ao longo de gerações, transferindo liquidez para ativos sólidos. O mercado observa que o tijolo tem atraído a maior parte dessa riqueza intergeracional, ajudando a manter a estabilidade, mesmo diante de condições de financiamento mais restritivas.

Sinais de pressão e cenários futuros

Já aparecem os primeiros sinais de aperto: bancos públicos elevaram taxas de crédito imobiliário no início do ano, atingindo especialmente o segmento de renda média. No entanto, para o segmento de alto padrão, a análise é mais otimista. Um relatório indica que terrenos bem localizados passam a ser vistos como reserva de valor, e quem conseguir estruturar parcerias estratégicas para acessar esses ativos sem se des capitalizar terá vantagem competitiva nos próximos anos.

Conclusão: fundamentos fortalecem o setor

A resiliência do Mercado Imobiliário brasileiro é atribuída a três fundamentos: financiamento maduro, menos dependente da poupança; demanda estrutural estável; e um ecossistema competitivo que une agilidade, escala e exclusividade. A tendência aponta para uma evolução em que a procura por ativos sólidos supera a volatilidade de curto prazo, mesmo com juros em patamar histórico.

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