Por que muitos lançamentos paulistas estão no Minha Casa, Minha Vida
By Iris Andrade
Minha Casa, Minha Vida impulsiona lançamentos e venda na capital paulista
Um levantamento recente aponta que o programa federal de habitação tem feito a diferença no ritmo do mercado imobiliário de São Paulo. De acordo com a Brain Inteligência Estratégica, quase 60% dos lançamentos na cidade no primeiro semestre de 2025 vieram do Minha Casa, Minha Vida, e a maior parte das vendas também ocorreu sob esse guarda‑chuva habitacional.
No segundo trimestre de 2025, o total de unidades lançadas atingiu 17.911, com Valor Geral de Vendas (VGV) de cerca de R$ 5,1 bilhões, ante R$ 4,2 bilhões no mesmo período de 2024. Já as vendas, entre abril e junho, somaram 19.354 unidades, um avanço de 74% na comparação anual, segundo o estudo.
O recorte indica que o programa responde por quase 60% dos lançamentos e por mais da metade das vendas na capital, sinalizando uma participação expressiva em um mercado que ainda encara juros elevados e aperto no crédito.
Fatores que sustentam o desempenho do MCMV em São Paulo
Para o CEO da Brain, Fabio Tadeu Araújo, o bom desempenho reflete mudanças na oferta, não na demanda. “O interesse por esse tipo de imóvel sempre existiu. O que mudou foi a capacidade das construtoras de atender esse público”, afirma.
- Política habitacional da cidade, que há quase uma década incentiva o programa, com regras que permitem ampliar a construção no terreno disponível e usar a outorga como subsídio para os empreendimentos.
- Ajustes estruturais nos preços do programa, promovidos pelo governo, que facilitaram o encaixe dos recursos na capital nos últimos dois anos e meio.
- Aumento significativo dos recursos do FGTS destinados ao programa, elevando o volume de financiamentos com subsídios para cerca de 130 bilhões de reais, segundo a pesquisa.
A combinação de renda mais elevada entre paulistanos e menor taxa de desemprego também ajuda o segmento, aponta Araújo. Ele ressalta que os subsídios do FGTS, aliados a uma possível participação estadual de até 30 mil reais na entrada do financiamento, fortalecem a acessibilidade.
Entre os destaques de atuação, bairros da cidade mostraram dinamismo. A Mooca, na zona leste, liderou os lançamentos do semestre com 2.637 unidades, enquanto áreas da zona oeste — como Lapa, Butantã e Barra Funda — aparecem entre os principais polos de atividade, sugerindo localização adequada para empreendimentos do programa.
Sobre valorização de preço, Santo Amaro, na zona sul, foi o destaque no último ano, registrando alta de 36,9% no preço por metro quadrado no segmento Minha Casa, Minha Vida entre junho de 2024 e junho de 2025, segundo a Brain.
Especialistas lembram que o mercado do MCMV pode manter o ritmo de crescimento em 2025 e 2026, puxado por uma demanda que ainda supera a capacidade de produção do setor no país, inclusive em São Paulo. Contudo, o desafio é conter custos, já que o tamanho dos imóveis atingiu o mínimo viável para unidades de dois quartos (34–35 m²). Com aumento de custos, o total e o ticket de venda tendem a subir.
Fonte: Folha de S.Paulo