Por que inflação e Selic afetam imóveis
By Iris Andrade
Inflação, Selic e Preços Elevados Freiam o Mercado Imobiliário no Brasil
O mercado de imóveis brasileiro tem sido freado por um cenário econômico desafiador: inflação alta e alta da taxa Selic elevam o custo do crédito e reduzem o apetite por aquisições e aluguéis. Mesmo com demanda estável em algumas áreas, os consumidores costumam adotar postura mais cautelosa na tomada de decisão.
Radar do setor aponta mudanças no comportamento de compradores e locatários
Uma startup que conecta profissionais do setor com clientes realizou um levantamento com mais de mil corretores de imóveis em todo o país. O Radar CAA revela que 41% dos corretores identificaram maior procura por imóveis novos em 2025, enquanto 35% percebem interesse aumentado por imóveis usados. Em 20% dos casos, não houve diferença relevante entre novas e usadas.
Tempo de negociação e fatores decisivos
Sobre o tempo para fechar negócios nos últimos 12 meses, 53% dos profissionais classificam o período como regular; 26% dizem que as negociações estão lentas; 10% consideram rápidas; 7% muito lentas e 3% muito rápidas.
O preço do condomínio aparece como fator decisivo na decisão de compra ou locação para 49% dos entrevistados, 36% afirmam que influencia em alguns casos e 12% dizem que raramente pesa na decisão.
Perfil do comprador: inflação e juros reduzem a procura
Quando questionados sobre os obstáculos nas negociações, 27% apontam o acesso ao financiamento como o maior entrave, 24% citam juros elevados e 19% destacam a incompatibilidade entre preço pedido e o mercado. Além disso, 68% dos corretores dizem que os clientes estão mais cautelosos do que antes, 18% estão mais dispostos a negociar e 7% percebem maior poder de decisão dos clientes.
Investidores e tipos de imóvel em alta
Apesar do contexto desafiador, a participação de investidores no mercado segue presente: 38% consideram a presença de pessoas jurídicas como regular, 24% a veem como alta, 16% como baixa, 9% como muito alta e 6% como muito baixa.
O que os consumidores desejam nos imóveis
A pandemia mudou o perfil de busca: 30% dos corretores observaram maior procura por unidades com área externa, 20,6% destacam maior valorização de espaços para home office e 17% percebem interesse por imóveis mais amplos. Além disso, 7% notam crescimento da procura por imóveis em regiões menos urbanas.
A proximidade de grandes obras de infraestrutura é vista com impacto positivo: 45% dos corretores afirmam efeito positivo significante, 22,9% apontam impacto positivo moderado e 11% relatam efeitos negativos no curto prazo devido a barulho e trânsito.
Como os clientes decidem e quais tipos de imóveis predominam
Entre os fatores que mais influenciam a decisão de compra, 49% destacam o preço e 34,1% a localização. Em termos de tipos de imóveis, residenciais são os mais buscados, respondendo por 90% da procura; terrenos (3%), comerciais (2%), imóveis de temporada (1%) e industriais (1%) completam o restante.
Geração de leads e canais de comunicação
Para geração de leads, 34% dos corretores apontam portais online como principal fonte, seguidos por redes sociais (32%), indicações de clientes (12%) e placas físicas (10%). Entre as redes sociais, Instagram aparece como principal fonte de resultados (42%), seguido por WhatsApp (25%) e Facebook (18%). O uso de mídia paga está presente: 32% anunciam online com frequência, 31% ocasionalmente, 17% raramente e 11% planejam começar.
Na comunicação com clientes, aplicativos de mensagens lideram: WhatsApp e Telegram somam 88% da preferência, seguidos por portais online (5%), e-mail (3%), telefone (2%) e reuniões presenciais (0,9%).
Fonte: Terra