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Por que a demanda por moradia curta está em alta no Brasil

By Iris Andrade

Mercado de moradia por temporada mostra crescimento expressivo no Brasil

A busca por imóveis para locação de curta duração tem registrado uma forte expansão em todo o país, impulsionada pelos avanços tecnológicos e pela necessidade de flexibilidade dos usuários.

Segundo especialistas do setor imobiliário, essa tendência já deixou de ser uma simples moda e se consolidou como uma alternativa rentável para investidores e proprietários de imóveis, especialmente no segmento corporativo e turístico.

O surgimento de uma nova dinâmica no mercado imobiliário

Há cerca de três anos, Rafael Rossi, fundador da Conviva Stay, entrou no mercado de short stay, ou seja, imóveis com contratos de locação temporária. Atualmente, ele destaca que esse segmento não é mais uma tendência passageira, mas uma realidade consolidada no Brasil.

Durante o Summit Imobiliário, realizado recentemente em São Paulo, Rossi explicou que, inicialmente, o mercado funcionava de forma amadora, com pouca profissionalização. No entanto, hoje, empresas especializadas oferecem serviços integrados, que envolvem desde a administração do imóvel até a manutenção e limpeza.

Automação e profissionalização impulsionam o setor

Segundo Rossi, a tecnologia facilita a conexão entre proprietários e locatários, tornando os processos mais ágeis e seguros. Além disso, empresas como a dele buscam estruturar uma operação mais eficiente, cuidando do imóvel de forma completa.

“Nós operamos o imóvel. Cuidamos da limpeza, da manutenção e de todos os detalhes. Assim, conseguimos otimizar a receita do empreendimento, controlando despesas e aumentando a rentabilidade”, explicou.

Localização e detalhes internos fazem diferença na decisão

Na hora de planejar novos empreendimentos, a localização continua sendo um fator importante, mas a composição interna das unidades tem ganho destaque. Características como presença de máquina de lavar, varanda ou mesa de jantar influenciam na preferência dos clientes.

Transformação digital e novas demandas

Alexandre Lafer Frankel, CEO da Housi e presidente do Conselho da Vitacon, aponta que o avanço digital foi fundamental para impulsionar o mercado de short stay. “A tecnologia superou as barreiras que dificultavam a conexão entre moradia, investimento e o formato de estadias curtas”, afirmou.

Frankel reforça que esse modelo de locação é uma estratégia para ampliar a rentabilidade e a ocupação dos imóveis, especialmente em cidades com vocação turística ou com alta demanda por residências temporárias.

Potencial de crescimento e novos perfis de consumidores

De acordo com o executivo, há ainda muito espaço para evolução, considerando as mudanças nos comportamentos das gerações mais novas. A chegada de nômades digitais, o aumento do trabalho remoto e o crescente interesse por experiências mais longas estão ampliando o mercado.

Modelos híbridos atendem às necessidades de diferentes públicos

Allan Sztokfisz, CEO da Charlie, explica que a empresa trabalha com dois tipos de operação:

  1. Empreendimentos inteiros com mais de 200 unidades, garantindo uma experiência consistente para os hóspedes;
  2. Projetos com participação parcial — entre 30% e 40% das unidades — onde há maior flexibilidade na gestão.

Atualmente, a Charlie atua em várias cidades brasileiras, incluindo São Paulo, Recife, Florianópolis e Goiânia, e observa uma significativa participação de estadias mais longas, que representam cerca de 20% do total de reservas.

Público diversificado e tecnologia acessível

Sztokfisz destaca que o perfil dos usuários surpreende. “Mais de 40% dos hóspedes têm mais de 42 anos, e há cerca de 7% a 8% com mais de 60 anos. Mesmo assim, todos se adaptam bem às plataformas digitais, com recursos como leitura facial para acesso às unidades”, comentou.

Na capital paulista, o setor corporativo responde por quase metade das locações da Charlie, enquanto o turismo de lazer e o setor de saúde também têm participação relevante.

Perspectivas promissoras e desafios futuros

Para os especialistas, o mercado de moradia de curta duração continuará crescendo, apoiado por fatores como a mudança nos estilos de vida e a crescente digitalização do setor.

Frankel reforça que há espaço para inovação, principalmente com a entrada de novos consumidores e a adaptação às demandas de uma sociedade mais móvel e conectada. “O segmento pode se tornar uma importante fonte de renda adicional, com muitas possibilidades de expansão”, concluiu.

Fonte: Mercado imobiliário e mercado de locação de curta duração

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