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Por que a agropecuária brasileira usa mais energia fóssil que a média global

By Iris Andrade

Setor agropecuário no Brasil apresenta alto consumo de energia fóssil

Segundo um estudo recente, a agropecuária brasileira consome uma quantidade significativa de energia fóssil, ficando acima da média global. A maior parte desse consumo é atribuída ao uso de diesel em máquinas pesadas, que são essenciais na produção extensiva do setor.

Dependência de combustíveis fósseis no campo

Dados indicam que o combustível fóssil responde por aproximadamente 73% da energia utilizada na agricultura brasileira. Em comparação com a média mundial, que é de cerca de 70%, o Brasil apresenta uma leve diferença, refletindo uma produção agrícola com forte característica extensiva, que demanda maior uso de maquinário movido a diesel.

Consumo energético por produção

Apesar dessa alta dependência de fósseis, o país demonstra uma eficiência energética superior à média global. O consumo total de energia por US$ 1 mil de produção agropecuária é de 1,2 gigajoules (GJ), enquanto a média mundial chega a 1,5 GJ. Entre diferentes países, as variações são expressivas, como Argentina com 7,9 GJ por US$ 1 mil e Índia com apenas 0,1 GJ.

Comparativo com Europa e a matriz energética brasileira

Nos países europeus, como na Holanda, essa intensidade energética é ainda maior, especialmente devido à irrigação intensiva, podendo atingir até 5,9 GJ por US$ 1 mil de produção. No entanto, o Brasil possui uma vantagem: a expansão do uso de bioenergia, que responde por cerca de 30% da matriz energética nacional, um crescimento notável desde a década de 1970. Grande parte dessa participação vem da biomassa de cana-de-açúcar, que corresponde a aproximadamente 17% do total de energia consumida no país.

Fatores que favorecem o uso de energias renováveis

O clima tropical, aliado à tecnologia e ao manejo adequado às condições locais, favorece a produção de energias limpas, além do fato de o Brasil ter múltiplas safras anuais. Essas condições facilitam o uso de fontes renováveis no setor agrícola, reforçando a matriz energética mais sustentável.

Vulnerabilidade por dependência de diesel

No entanto, essa dependência de diesel representa uma vulnerabilidade. Em 2022, 73% da energia utilizada na agropecuária brasileira veio de combustíveis fósseis, principalmente o diesel. Essa dependência deixa o setor sensível a oscilações de preços do petróleo e a crises geopolíticas, o que pode impactar a atividade agrícola de forma significativa.

Perspectivas e desafios

Para reduzir essa vulnerabilidade, é fundamental ampliar a diversificação da matriz energética do setor, promovendo maior uso de fontes renováveis. A transição energética, juntamente com políticas de incentivo à bioenergia e eficiência, pode reforçar a sustentabilidade do agro brasileiro.

Fonte: estudo do Observatório da Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas.

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