Plástico no topo do Edifício Itália: arte com vista
By Iris Andrade
Lab no Edifício Itália: arte, design e arquitetura em diálogo elevado
No 31º andar do emblemático edifício Itália, o espaço conhecido como Lab passou a funcionar como uma plataforma de exposição onde artistas dialogam diretamente com a prática arquitetônica. O projeto, assinado pela designer Melina Romano, transforma o terraço em uma sala de estar nas alturas para mostrar criações que convivem com a geometria da torre, desenhada por Franz Heep.
A primeira mostra organizada sob a curadoria de Carolina Lauriano reúne obras de três artistas — Ana Matheus Abbade, Clara Benfatti e Thamiris Mandú — ao lado de esculturas em metal criadas pelo designer Guilherme Wentz. Uma parte significativa das peças é inédita, concebida especialmente para este espaço.
Segundo Melina Romano, a proposta do Lab é ampliar a relação entre arte, design e arquitetura, colocando artistas ao lado dos arquitetos durante o desenvolvimento do espaço. A ideia é acelerar o diálogo criativo, já que o designer, antes de apresentar o espaço, pode incorporar obras que dialoguem com a atmosfera e a função do lugar.
As obras, combinadas à vista urbana de São Paulo que o edifício oferece, criam um ambiente onde o público pode experienciar a convergência entre forma, matéria e função. Entre as peças, as esculturas de Guilherme Wentz se destacam pela presença de metal e traços geométricos que convivem com a iluminação e o layout do espaço.
Contexto e continuidade
- Circolo Italiano apóia um movimento paralelo: o grupo Tokyo, já proprietário do terraço do Martinelli, planeja abrir outro espaço de exposições no terceiro andar do Itália, em uma iniciativa que integra o projeto Epicentro, voltado à restauração e valorização de prédios clássicos.
- Casa Nova amplia fronteiras: na Splitting Higienópolis, a travessa Dona Paula ganhará, em dezembro, a galeria Pórtico, dos sócios Adolfo Caboclo e Alexandre Záskia, vizinha de sedes paulistanas de artistas e galerias de renome ao longo da região.
- London Calling expõe em Londres obras de Antonio Dias que chegam a São Paulo pela via da galeria Gomide&Co, ampliando o circuito internacional de difusão do artista.
O conjunto de iniciativas demonstra a vitalidade de São Paulo como polo de encontros entre arte, design e arquitetura, ampliando os formatos de apresentação e a circulação de obras entre espaços culturais da cidade, além de aproximar o público de práticas contemporâneas que atravessam várias linguagens.
Vem a partir de novembro, ainda, a perspectiva de novas mostras e intervenções em espaços históricos da cidade, reforçando o papel de São Paulo como palco de experiências que unem arquitetura, objeto e imagem em ambientes com fuerte presença urbana.
Fonte: Folha de S.Paulo