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Pietro Derossi: mudar como vivemos

By Iris Andrade

Morre Pietro Derossi: arquiteto radical que reinventou a ideia de habitar

Pietro Derossi, arquiteto, urbanista e designer italiano, faleceu neste domingo, 7 de setembro de 2025, aos 92 anos. Ao longo de mais de seis décadas, ele desafiou as convenções sobre o que significa morar, conectando arquitetura, política e participação pública.

Nascido em Turim, em 1933, Derossi formou-se em 1960 e emergiu como uma figura inquieta em um cenário de transformações sociais intensas na Itália. Seu trabalho não buscava apenas moldar espaços, mas intervir nos modos de vida e na forma como a cidade é pensada e habitada.

Peças e projetos que marcaram uma geração

  • Pratone (1971): criado em parceria com Giorgio Ceretti e Riccardo Rosso, este sofá-escultura, formado por talos de grama verde em poliuretano, tornou-se símbolo da radicalidade da época. Não era apenas um móvel, mas uma provocação que convidava o corpo a experimentar o espaço de forma coletiva.
  • Casa Manuale d’Abitazione (1968): um manifesto construído que propunha repensar a residência em todos os seus aspectos, oferecendo alternativas de moradia que fugiam das convenções burguesas.
  • Casa del Popolo, em Turim: concebida como espaço de encontros culturais, políticos e comunitários, onde arquitetura e sociedade se fundiam em uma experiência compartilhada.

A radicalidade de Derossi aparecia também na sua visão sobre o ato de projetar. Para ele, desenhar não era apenas criar formas, mas questionar estruturas econômicas, sociais e culturais. Seu trabalho atravessava estética, política e urbanismo, abrindo espaço para práticas interdisciplinares.

Carreira acadêmica e influência

Ao longo da sua trajetória, Derossi conciliou prática profissional e ensino. Foi professor de Composição Arquitetônica no Politécnico de Turim, formando gerações de arquitetos. Seu método valorizava o debate, a provocação e a construção coletiva do conhecimento, em vez de respostas prontas.

Legado

As obras de Derossi continuam a dialogar com a cultura pop, a política e a experimentação artística, mantendo a ideia de que a arquitetura pode ser uma ferramenta de transformação social. Peças como o Pratone integram museus e acervos internacionais, reafirmando a relevância de um movimento que associou design, crítica social e intervenção urbana.

Sua passagem deixa o mundo criativo órfão de uma das vozes mais críticas e inventivas do século XX, mas a sua obra permanece como convite para questionar, imaginar e reinventar o ato de habitar.

Fonte: Casa Vogue

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