PIB desacelera no trimestre e aponta mudanças para o futuro
By Iris Andrade
PIB brasileiro registra 0,4% de alta no 2º trimestre de 2025, aponta IBGE
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil aumentou 0,4% na comparação com o trimestre anterior, atingindo 3,2 trilhões de reais, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Desempenho por setores e pela demanda
A leitura aponta uma desaceleração na recuperação econômica. O impulso veio principalmente dos setores de serviços, que cresceram 0,6%, e da indústria, com alta de 0,5%. A agropecuária registrou queda de 0,1% e puxou o lado negativo do resultado.
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias subiu 0,5%, já o consumo do governo caiu 0,6% e os investimentos recuaram 2,2% no período.
Contribuições externas e mudanças ao longo do trimestre
As exportações ajudaram o desempenho, com o setor externo sustentando o PIB. O agronegócio e a indústria extrativa mostraram dinamismo, beneficiados pela demanda internacional por commodities.
Segundo a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, o resultado reflete a perda de fôlego da economia diante da política monetária restritiva. Ela aponta que a indústria de transformação e a construção, dependentes de crédito, são os setores mais impactados pela alta dos juros. O avanço disseminado em serviços ficou concentrado em áreas como finanças, seguros, tecnologia da informação, transporte e serviços correlatos.
No lado da demanda, o consumo das famílias e o dinamismo externo sustentaram o crescimento, mesmo com a redução do gasto público. Palis ressalta que salários reais continuam elevados e que há continuidade de programas de transferência de renda, o que ajuda a sustentar o consumo.
Comparação com o mesmo período do ano anterior
Na base anual, o PIB desacelerou de 3,5% para 3,2%. O agropecuário avançou 5,8% (contra 1,8% no trimestre anterior), enquanto a indústria passou de 3,1% para 2,4% e os serviços caíram de 3,3% para 2,9%.
O consumo das famílias ficou em 3,4% (de 4,2%), o consumo do governo em 1,0% (de 1,2%), e o investimento em 8,3% (de 8,8%). Exportações e importações também mostraram desaceleração.
Perspectivas para a segunda metade de 2025
Analistas esperam que o ritmo tenha razão de queda no segundo semestre, com o PIB projetado entre 2,0% e 2,2% para o ano. Instituições como Daycoval, Itaú e XP Investimentos projetam 2,2%, enquanto o Inter aponta 2,0%. A manutenção de juros elevados, sem novos estímulos, é citada como condicionante para uma reavaliação positiva.
Fatores que modulam a expansão
- Juros altos atuam como principal freio, reduzindo investimentos (formação bruta de capital fixo) e freando o consumo de itens financiados.
- A política monetária restritiva eleva a aversão a crédito e mantém pressões inflacionárias, o que dificulta cortes de juros.
- A demanda interna mostra resiliência, mas o impacto do crédito segue sendo relevante para setores sensíveis, como automóveis e eletrodomésticos.
Riscos externos e cenário fiscal
A conjuntura externa tem contribuído, mas impactos de medidas comerciais dos EUA devem aparecer no terceiro trimestre. Internamente, a incerteza fiscal persiste, com dúvidas sobre o controle de despesas públicas em ano eleitoral, o que pode manter os juros futuros elevados. A força do setor de serviços e o mercado de trabalho ajudam a atenuar o ajuste, mas, sem alívios significativos na política de juros, a tendência de moderação tende a se consolidar.
Fonte: IBGE