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PIB da construção cai sob juros altos

By Iris Andrade

PIB da Construção Civil recua pelo segundo trimestre seguido e setor já sente o peso de altas taxas de juros

A produção da Building Brasil, segmento ligado à construção, apresentou retração pelo segundo trimestre consecutivo. Em leitura com ajuste sazonal divulgada pelo IBGE, o PIB do setor caiu 0,2% na comparação entre o segundo e o primeiro trimestres de 2025. No primeiro trimestre deste ano, frente ao último trimestre de 2024, a redução já havia chegado a 0,6%. Além das obras de grande porte, o indicador também considera pequenas obras e reformas realizadas por famílias, que tendem a seguir o ritmo de crédito em um cenário de juros elevados.

Apesar do recuo, especialistas destacam que o segmento continua contribuindo com empregos e investimentos, ainda que sob pressão. Renato Correia, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), observou que o setor já começa a sentir os efeitos do patamar atual de juros e enfatizou a necessidade de facilitar o acesso a crédito para sustentar o ritmo de atividade.

É preciso criar condições mais favoráveis de crédito e financiamento para que o setor possa continuar contribuindo com a economia.

— Renato Correia, CBIC

Ao mesmo tempo, a leitura de desempenho trimestral não esconde evolução positiva em perspectiva. Em relação aos quatro trimestres anteriores, o setor acumula variação de 3,6% e, no saldo do primeiro semestre de 2025 versus igual período de 2024, há ganho de 1,8% na atividade.

Emprego formal e dinamismo do mercado de trabalho

Dados recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho, mostram que a Construção Civil já gerou 177.341 empregos formais nos primeiros sete meses do ano. Com esse desempenho, o contingente de trabalhadores formais no setor superou a marca de três milhões, um patamar que não era visto há mais de uma década.

Essa tendência de geração de empregos ocorre mesmo diante do aperto fiscal e do custo de financiamento mais alto, reforçando a importância da construção para o emprego formal e para a cadeia produtiva associada ao setor.

Implicações setoriais e perspectivas

Especialistas ressaltam que, embora haja ainda elevada atividade produtiva, há indicativos de que o custo do crédito pode frear a expansão nos próximos trimestres. O conjunto de números do PIB da construção sugere uma desaceleração gradual, mas o dinamismo do emprego e o ganho acumulado de produção no semestre indicam que o setor continua sendo uma peça-chave para o PIB brasileiro.

Observa-se, ainda, que o impacto dos juros se estende a pequenos empreendimentos de reforma e manutenção, que compõem a parcela residencial do setor. A continuidade de políticas de crédito mais acessíveis e de condições de financiamento adequadas tende a temperar o efeito das altas taxas sobre a atividade, mantendo o setor como um importante polo de investimento e geração de renda.

Principais números:

  • PIB da Construção Civil caiu 0,2% no 2.º trimestre de 2025 ante o 1.º trimestre (série sazonal).
  • Queda de 0,6% no 1.º trimestre de 2025 em relação ao quarto trimestre de 2024.
  • Variação acumulada dos últimos quatro trimestres: +3,6%.
  • Primeiro semestre de 2025 vs. 2024: +1,8% na atividade.
  • Empregos formais gerados pela construção nos sete primeiros meses de 2025: 177.341.
  • Trabalhadores formais no setor acima de 3 milhões pela primeira vez em mais de uma década.
Fonte: Conexão Tocantins

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