PIB da construção cai: juros explicam tudo
By Iris Andrade
PIB da construção civil recua pelo segundo trimestre e aponta impactos de juros elevados
O Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil registrou queda pelo segundo trimestre consecutivo, fechando o período em −0,2% no segundo trimestre, após recuo de −0,6% no primeiro. A leitura é oriunda de dados compilados pela CBIC com base nas séries do IBGE, que mostram um setor fortemente dependente de crédito sendo pressionado pela taxa de juros.
O que explica o recuo
Para a CBIC, o resultado reflete o impacto de a taxa de juros estar no nível mais alto em quase duas décadas, dificultando investimentos no setor. Além disso, o PIB da construção abrange pequenas obras e reformas feitas por famílias, que também sofrem com o custo do crédito elevado.
“O desempenho reflete os efeitos da taxa de juros, que estão no maior patamar em quase 20 anos e impactam diretamente um setor altamente dependente de crédito. O PIB da construção também abrange pequenas obras e reformas realizadas pelas famílias, que igualmente sentem os efeitos dos juros elevados”, afirmou Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC.
Panorama macroeconômico
Em contrapartida, o PIB agregado do Brasil, calculado pelo IBGE, avançou 0,4% no 2º trimestre em relação ao 1º, na série com ajuste sazonal, embora essa taxa represente uma desaceleração significativa em comparação com o início do ano (1,3%).
Para Ieda Vasconcelos, mesmo com o desempenho positivo ante o ano anterior, a manutenção da Selic em 15% por um período prolongado tem potencial de frear investimentos e a geração de empregos, com o mercado de trabalho já sentindo os efeitos desse patamar de juros.
Ela também cita a perspectiva divulgada pela pesquisa Focus, do Banco Central, que indica juros elevados nos próximos anos e retorno a um patamar de apenas 10% só em 2028. Essa visão alimenta a preocupação sobre o ritmo de crescimento da economia e a criação de vagas formais.
Emprego na construção
No primeiro trimestre de 2025 foram gerados 100.781 empregos formais no setor. Entre abril e junho, foram 57.494 novas vagas, e em julho, 19.066. Mesmo com o avanço, o saldo mensal ficou abaixo dos três primeiros meses do ano.
Somando janeiro a julho, a construção civil gerou 177.341 empregos formais, ultrapassando a marca de três milhões de trabalhadores com carteira assinada — um patamar que não era alcançado há mais de uma década, conforme observação da CBIC.