Orla cresce construção e Centro perde força
By Iris Andrade
Construção avança na orla de Santos, mas Centro e Zona Noroeste perdem fôlego
A Prefeitura de Santos continua investindo na revitalização da região central para estimular a chegada de moradias e dinamizar a economia local. No entanto, segundo a secretária de Obras e Edificações, Larissa Oliveira Cordeiro, o interesse de grandes construtoras em atuar no Centro ainda é limitado, assim como na Zona Noroeste. Enquanto isso, a cidade registra movimento significativo na concessão de licenças para obras de edifícios com pelo menos dez pavimentos, com destaque para áreas da Boqueirão e Embaré.
Mais projetos licenciados em 2025 e o que isso significa
Em 2024, Santos teve nove pedidos de construção para prédios altos. Até 30 de setembro de 2025, esse número já mostra 16 projetos licenciados para início de obras e 24 projetos arquitetônicos aprovados. Segundo a Secretária, o aquecimento do setor tem impulsionado o fluxo de pedidos, levando o setor a operar em ritmo mais acelerado, ainda que nem todos os empreendimentos sejam de grande porte.
Bairros que concentram os licenciamentos de prédios altos
Entre os imóveis com mais de dez pavimentos, Embaré e Boqueirão respondem por quatro licenças cada um, enquanto Macuco e Ponta da Praia aparecem com três licenças cada. Esses quatro distritos somam boa parte do total de aprovações e refletiram o atual comportamento do mercado, que encontra menos estímulo para investir no Centro e na Zona Noroeste.
Ação regulatória e o papel do Comaer
O recuo do gabarito em áreas centrais não se aplica de forma homogênea a toda a cidade. A Ponta da Praia e o José Menino continuam atraindo maior disponibilidade de área para construção de edifícios, em função de ajustes no plano de voo do Comando da Aeronáutica (Comaer) desde 2015. Essa mudança permitiu ampliar a altura permitida nesses trechos da orla, incentivando o uso de coeficiente construtivo maior para alguns projetos.
Retrofits no Centro e Paquetá: poucos movimentos, mas com ganhos
Apesar do cenário mais favorável para novos edifícios na orla, o Centro de Santos tem mostrado menor interesse de construtoras em retrofits. Hoje, há quatro retrofit aprovados, com obras em andamento, e um em fase de aprovação. No conjunto, somam 85 unidades habitacionais e cinco espaços comerciais. Um novo espaço poderá acrescentar 49 unidades habitacionais. A secretaria ressalta que existem incentivos para investimentos no Centro, mas que a atratividade ainda depende da retomada do interesse dos investidores.
Como está a Zona Noroeste
A Zona Noroeste permanece com pouca presença de grandes empreendimentos. A maior parte das operações está voltada para legalizações de comércios e mudanças de uso de imóveis residenciais para uso comercial. Segundo a secretária, não há grandes construtoras anunciando investimentos expressivos na região, o que difere do perfil de investimentos que ocorre ao longo da orla.
Conservação de imóveis antigos e gestão urbanística
Em relação aos imóveis antigos do Centro e Paquetá, a prefeitura manteve ações de fiscalização e regularização. Em 2021, houve uma força-tarefa para identificar estruturas em risco e imóveis com pendências de conservação. Muitos proprietários não foram localizados, o que levou a medidas de tomada de imóveis com IPTU em atraso, com a prefeitura mantendo a posse por até três anos antes de licitar o espaço para uso público ou venda.
Perspectivas e o que esperar
Especialistas apontam que o aquecimento da construção este ano pode se traduzir em mais projetos aprovados e licenciados ao longo de 2026, especialmente na orla. No entanto, o desafio de atrair grandes construtoras para o Centro e para a Zona Noroeste exige políticas adicionais de incentivo, além de planejamento que maximize o aproveitamento de áreas já disponíveis e a qualidade de vida para moradores e comerciantes da região central.
Fonte: A Tribuna