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O que impulsionou a mobilização no RS

By Iris Andrade

Porto Alegre avança na proteção contra cheias após enchentes de 2024; DW Engenharia fecha três comportas e amplia a infraestrutura de bombeamento e contenção

A capital gaúcha tem registrado melhorias significativas no sistema de defesa contra cheias, com ações integradas entre a iniciativa pública e empresas privadas. A DW Engenharia fechou de forma definitiva três das 14 comportas que compõem o muro de proteção da Mauá, localizadas nas comportas 3, 5 e 7, conforme explica o sócio Engenheiro Wolney Moreira da Costa. O conjunto conhecido como Muro da Mauá tem 2.400 metros de extensão e, pela intervenção, houve a substituição de uma antiga comporta de ferro que não operava há décadas. O trabalho consistiu na remoção da comporta existente e na construção de um muro de concreto. Nas três comportas fechadas, foi aplicada uma placa de concreto na frente do muro e fixação subsequente, sem necessidade de nova fundação. A manutenção era solicitada pela prefeitura para melhorar a impermeabilização e a recuperação do espaço, segundo Costa.

Casas de bombas e Ebaps em Porto Alegre

As casas de bombas, distribuídas pela cidade, passaram por melhorias com foco na proteção de áreas críticas. O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) concluiu a qualificação das Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) 17 e 18, situadas no Centro Histórico. As equipes executaram, em concreto armado, as chaminés de equilíbrio para evitar o retorno de água pelos poços de descarga durante períodos de chuva intensa e nova elevação do nível do Guaíba. A melhoria nas Ebaps 17 e 18 foi a primeira a ocorrer após a enchente anterior.

Segundo a DW Engenharia, o primeiro contrato envolveu investimentos de R$ 2,7 milhões, destinados à recuperação da Casa de Bombas, ao Muro da Mauá e às 3 comportas. O segundo contrato, voltado à recuperação de mais 4 comportas, teve aporte de R$ 3 milhões, totalizando aproximadamente R$ 5,7 milhões em ambas as obras.

Medidas preventivas da prefeitura

A prefeitura continua atuando para ampliar a segurança contra cheias. O Dmae iniciou o fechamento de mais três comportas — 11, 13 e 14 — situadas na Avenida Castelo Branco. Como os portões ainda não estavam prontos, as passagens estão sendo fechadas com bags. A previsão é manter o nível da água dentro do limite de segurança para aumentar a proteção dos moradores durante as chuvas.

Obras em rodovias e pontes

As obras para reparar estradas e pontes atingidas pelas intempéries de junho avançam no Rio Grande do Sul. O governo estadual destinou cerca de R$ 30 milhões em junho para desobstrução e restabelecimento do tráfego nas vias estaduais. O Daer (Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem), vinculado à Secretaria de Logística e Transportes (Selt), está realizando serviços em cabeceiras de pontes, recuperação de rodovias e remoção de barreiras.

Conforme registram as superintendências regionais de Santa Maria e Santa Cruz do Sul, houve conclusão de trechos emergenciais em ERS 149, 348, 400, 403, 509 e 511, além da VRS 804, liberando o tráfego de veículos. Na região Central, a ERS 149 teve cabeceiras de pontes restauradas entre Restinga Sêca e as várzeas dos rios Vacacaí Mirim e afluentes, com liberação total do trânsito em 15 de julho. Em outros pontos da mesma rodovia, as barreiras foram removidas e serviços de manutenção continuaram.

No Vale do Rio Pardo, as cabeceiras da ponte sobre o rio Botucaraí, na ERS 403 entre Cachoeira do Sul e Rio Pardo, já foram recuperadas e o aterro recomposto, com a ponte liberada ao tráfego. Em Candelária, na ERS 400, a recuperação foi concluída no km 13, após a identificação de deslizamentos e fissuras no pavimento, liberando a circulação.

Impacto regional e declarações oficiais

O secretário de Logística e Transportes, Juvir Costella, ressaltou que o aporte financeiro permite intervenções rápidas em todo o estado, destacando o compromisso do governo com a recuperação rápida da malha rodoviária. O diretor-geral do Daer, Luciano Faustino, enfatizou a mobilização das equipes e a continuidade dos trabalhos para restabelecer de forma completa pontes e rodovias, visando minimizar os impactos das chuvas na infraestrutura gaúcha.

Movimentos no corredor de emergência de Porto Alegre

A troca das juntas de dilatação da rampa de acesso ao corredor de emergência pela avenida Castelo Branco começou a ser realizada pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb), em parceria com a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi). Serão substituídas quatro juntas de dilatação, itens essenciais para a estabilidade do viaduto, capazes de absorver variações de temperatura e movimentos estruturais. A conclusão está prevista para até 60 dias.

A intervenção, localizada entre a Avenida Castelo Branco e o elevado da Conceição, envolve retaludamento com colchões Reno, aplicação de manta asfáltica impermeabilizante e correção de desníveis no pavimento. Haverá ainda implantação de grama, barreiras de concreto tipo New Jersey e nova pavimentação. Os trabalhos, sob responsabilidade da empresa Sultepa, totalizam cerca de R$ 1,4 milhão. Também há intervenções no cruzamento da Castelo Branco com a Rua da Conceição, ajustando canteiros centrais e meios-fios antes da nova capa de asfalto.

A obra do corredor emergencial foi realizada pela RGS Engenharia, em um esforço de construção rápida durante as enchentes de 2024, para ligar a Free Way ao Túnel da Conceição e permitir o fluxo de caminhões, ambulâncias e veículos prioritários. O objetivo atual é transformar o corredor em uma via permanente conectando a região ao centro da cidade, com melhorias urbanas previstas para o entorno.

Fábrica da Coca-Cola e a atuação da Lamb Engenharia

Durante a enchente de maio de 2024, a fábrica da Coca-Cola Femsa, no norte de Porto Alegre, sofreu severos danos, com perdas estimadas em 80% da produção. A Lamb Engenharia e Construção foi a escolhida para liderar a reconstrução, que envolveu cerca de 20.000 m² de área recuperada e a instalación de linhas de produção para seis linhas, além de bases para 22 robôs industriais. O investimento total ficou em torno de R$ 675 milhões, com 12.000 m² de pisos estequeados reconstruídos e novas fundações.

O projeto, iniciado em setembro de 2024 e concluído em junho de 2025, teve etapas rápidas: a proposta técnica foi apresentada em 21 de agosto, e a solução de engenharia aprovada em 7 de setembro. A mobilização começou em 16 de setembro, com as linhas 04 e 05 liberadas para montagem em 14 de novembro, a linha 06 pronta em 29 de novembro e a conclusão das bases de montagem em 20 de dezembro. A gestão de Lamb incluiu um planejamento de obras turn-key com técnicas de fundação mistas adaptadas ao pé-direito reduzido da planta, incluindo estacas metálicas e hélice contínua segmentada, além de um conjunto de provas de carga estáticas e dinâmicas.

A Lamb também enfatizou a adoção de práticas de Lean Construction para aumentar a previsibilidade, além de um programa de bonificação para atrair e reter talentos. A parceria de mais de 20 anos com a Coca-Cola foi citada como fundamental para alinhar decisões com a FEMSA e manter a fábrica operando durante a obra. O diretor executivo da Lamb, Júlio César Bratz Lamb, destacou a confiabilidade da empresa e o desafio técnico superado.

Corredor de emergência: execução rápida e lições aprendidas

O corredor de emergência teve mobilização rápida: ordem de mobilização em 07/05/2024 e início das operações em menos de 24 horas. Mais de 30 veículos pesados, incluindo caçambas, pranchas de transporte, escavadeiras e tratores de esteira, facilitaram o transporte de materiais. Em 09/05, uma segunda frente de trabalho reuniu material de uma pedreira dentro de Porto Alegre, acelerando o cronograma. A obra foi concluída em 36 horas, permitindo que ambulâncias e veículos de apoio circulassem com rapidez pelo novo corredor, que tem cerca de 400 metros de extensão, altura de mais de 2 metros e capacidade para tráfego de caminhões, carros de resgate e outros veículos.

A intervenção elevou o transporte de emergências sobre o trecho alagado, com base de brita graduada compactada para sustentar o trânsito. A prefeitura já planeja a requalificação definitiva do corredor para integrá-lo à malha urbana, com pavimentação de alto desempenho, alargamento da via, calçadas, sinalização, drenagem e melhorias urbanas ao redor.

Trajetória da Lamb Engenharia e construção

Fundada em 1986, a Lamb Engenharia e Construção é uma empresa gaúcha especializada em obras industriais, comerciais e corporativas. Com atuação na região Sul e em São Paulo e Rio de Janeiro, atende grandes empresas, incluindo Coca-Cola, Braskem, CMPC Celulose, General Motors, Pirelli, Goodyear, CEVA Logistics e SL Corporation. A empresa trabalha em modelos Design & Build, EPC e Turn-key, e possui certificações como D-U-N-S Number e EcoVadis, reforçando seu posicionamento sustentável.

O dirigente da Lamb, Júlio César Bratz Lamb, é engenheiro civil formado pela UFRGS e atua à frente da companhia desde 2020, liderando-a com foco em valores, inovação e excelência técnica.

Fonte: Revista O Empreiteiro

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