O que a dívida dos EUA e da China pode fazer com a economia?
By Iris Andrade
Como a dívida da China e dos EUA pode moldar a economia mundial
Relatórios do Fundo Monetário Internacional indicam que a dívida bruta do governo de China e EUA está em trajetória de expansão, o que pode influenciar mercados, políticas públicas e fluxos de capitais ao redor do mundo.
Projeções do FMI para a dívida em relação ao PIB
- China: 2025: 96,3% do PIB; 2026: 102,3%; 2027: 106,3%; 2028: 109,7%; 2029: 112,9%; 2030: 116,1%.
- EUA: 2025: 125% do PIB; 2026: 128,7%; 2027: 132,7%; 2028: 136,6%; 2029: 140,1%; 2030: 143,4%.
O que esses números podem significar para a economia global
Especialistas avaliam que a expansão da dívida em ambos os países aumenta os riscos para o cenário econômico mundial. O aumento da dívida dos EUA é visto como um fator que pode endurecer a percepção de risco nos mercados, dada a importância dos ativos norte-americanos como abrigo seguro. Em cenários de maior desconfiança, fluxos de capitais podem se reorganizar, pressionando bolsas, câmbio e custos de financiamento globais.
O ouro aparece como um vilão comum nessas perspectivas. Em outubro, o metal precioso superou a marca de US$ 4.000 por onça, com investidores buscando proteção contra incertezas geopolíticas e macroeconômicas. Mesmo com boa parte dos recursos ainda alocados em dólares, há uma tendência de diversificação das reservas globais, com bancos centrais aumentando o peso do ouro.
No caso da China, o crescimento da dívida pode afetar o ritmo de expansão de commodities e as moedas de economias emergentes fortemente ligadas ao país. Em cenários em que o governo reduza déficits primários para conter endividamento, a atividade econômica pode desacelerar. No entanto, se a tensão comercial com os EUA se intensificar, Pequim pode recorrer a estímulos adicionais, ampliando o déficit público e alimentando ainda mais a dívida.
Além disso, o aumento da dívida pode pressionar as taxas de juros futuros na China, atraindo recursos para o mercado doméstico de renda fixa e reduzindo o fluxo de capitais para outros emergentes. Isso tende a moldar as curvas de juros globais e pode dificultar o acesso a financiamentos para algumas economias dependentes de capitais externos.
Impactos setoriais e lições de experiências passadas
Especialistas destacam que o setor de manufaturas e o imobiliário são grandes alavancas na China. A amplitude da dívida pode frear o crescimento mundial e reduzir a produtividade de algumas empresas, elevando o desemprego e gerando estoques excessivos em cadeias produtivas. Um exemplo histórico citado é o conturbado desempenho do setor imobiliário chinês após o colapso da Evergrande, em 2021, que ajudou a expor vulnerabilidades em uma economia cuja construção e venda de imóveis respondem por uma parcela relevante do PIB.
Os primeiros sinais costumam aparecer nos países que exportam para a China, com setores como siderurgia, mineração e outras indústrias de commodities enfrentando impactos quando a demanda externa recua. Por outro lado, caso haja intensificação da concorrência internacional, Pequim pode responder com estímulos adicionais, o que, por sua vez, pode ampliar déficits e aprofundar dívidas públicas.
Perspectivas para fluxos de capitais e políticas
Analistas apontam que o aumento da dívida pode influenciar a composição de ativos globais. Se a confiança nos mercados globais for abalada, governos e bancos centrais podem buscar proteção em ativos considerados mais estáveis, como ouro, títulos de países com bases fiscais fortes e outros instrumentos de renda fixa. Nesse cenário, a demanda por ouro tende a crescer, puxando preços para patamares elevados e potencialmente elevando as taxas de juros a longo prazo em algumas economias.
Em suma, a trajetória de endividamento da China e dos EUA não é apenas uma variável interna: seus efeitos podem se propagar para commodities, moedas emergentes, cadeias de suprimentos e políticas macroeconômicas em várias regiões do mundo.
Fonte
CNN Brasil