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O agente secreto: memórias que tocam

By Iris Andrade

Pré-estreia de O agente secreto destaca Recife e memória histórica

Chega aos cinemas do Brasil a produção “O agente secreto”, em uma pré-estreia que já acumula vitórias em festivais e uma indicação ao Oscar 2026. A campanha de divulgação enfatiza Recife como tema central e elemento norteador da narrativa.

Enredo e ambientação

Situado em 1977, o filme acompanha Armando, professor da UFPE, que se torna alvo de ameaças por ter desenvolvido tecnologia nacional, em um período de entreguismo econômico e repressão às ideias não alinhadas ao regime. O roteiro, embora de ficção, espelha realidades vividas por muitos profissionais que enfrentaram pressões de interesses empresariais e do poder público. A trama sugere que o intuito de silenciar o depoimento partiu de um empresário influente, que mandava, de forma direta, eliminar o testemunho.

Recife na tela: entre realidade e ficção

A produção entrelaça a vida da cidade com elementos de lenda e invenção, como a história do tubarão associada à perna cabeluda, além de cenas de carnaval com bombas de água improvisadas e uma delegacia cenográfica para proteger depoimentos. O filme propõe que Recife vive nesse continuum entre o real e o imaginário, uma característica que o cinema sabe traduzir com maior intensidade do que outras artes.

Estética e memória

Os aspectos visuais ganham destaque, com referências a detalhes como maçanetas douradas de um cinema histórico, a Rua da Aurora em tom mais sereno e o Capibaribe retratado sem lixo em determinadas sequências. O filme também abre espaço para questionar por que o tema da ditadura ainda precisa ser mostrado e qual o papel do cinema nesse debate histórico. O enredo ainda sugere que episódios próximos a locais icônicos, como o entorno do cinema em evidência, entrem no registro factual da época, não como ficção pura.

Conexões com o memorialidade do cinema

Em conjunto com o documentário “Ainda estou aqui” (2024), o lançamento de “O agente secreto” é visto como parte de um movimento recente do cinema brasileiro de construir memória histórica por meio da arte, especialmente em um momento de ausência de garantias formais de memória por parte do Estado. A expectativa é de que o público possa conferir a produção a partir de 6 de novembro de 2025, abrindo espaço para reflexão sobre a história recente do país.

Fonte: Miguel Gally de Andrade

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