No mercado imobiliário, a batalha da Éxes para captar clientes
By Iris Andrade
Éxes avança no captação de recursos imobiliários, mesmo cenário desafiador para o setor
A gestora Éxes, com R$ 1,6 bilhão sob gestão, lançou uma oferta para ampliar o fundo imobiliário EXES11, que investe em papéis de crédito ligados ao setor. A operação visava captar R$ 100 milhões, mas resultou em aporte de R$ 69,47 milhões, suficiente para quase dobrar o tamanho do FII e levar o montante sob gestão para algo próximo de R$ 140 milhões.
O EXES11 está listado na bolsa e sua estratégia contempla investimentos em certificados de recebíveis imobiliários (CRIs), bem como marcas de crédito como notas promissórias e obrigações de compra e venda. O momento de captação ocorreu mesmo em um ambiente de aversão ao risco, apoiado pelo apetite de investidores por liquidez e por um pipeline de oportunidades de R$ 900 milhões, com a maior parte das operações concentradas em incorporações residenciais verticais.
Contexto da captação e fatores impulsionadores
Segundo Artur Carneiro, sócio-fundador da Éxes, a janela de captação se abriu em meio a uma percepção de liquidez mais estável após o desgaste com produtos cetipados. Além disso, como o FII não aparece com desconto na bolsa, a gestora entendeu que poderia aproveitar a confiança dos investidores para captar recursos. O volume de negócios disponível também é um elemento relevante: o pipeline de R$ 900 milhões identifica várias oportunidades de incorporação residencial vertical, com uma carteira de CRIs alinhada a esse setor em diferentes estágios de estruturação.
Carneiro destacou ainda que a isenção fiscal para CRIs ajuda a reduzir o custo de funding para o mercado imobiliário. Em sua visão, a combinação de menor oferta de funding subsidiado e a queda da poupança criam lacunas que o mercado de capitais pode preencher, desde que haja prazos compatíveis com o cronograma de obras e repasse.
Detalhes do portfólio e da operação
O EXES11 investe, entre outros ativos, em CRIs, notas promissórias e obrigações de compra e venda. A captação em si foi estruturada para ampliar a escala do fundo, que já faz parte do portfólio da gestora e busca consolidar presença em crédito imobiliário com lastro líquido. O retorno-alvo divulgado para ativos do portfólio inclui patamares de IPCA+11,17% ao ano e CDI+4,51% ao ano, com um conjunto indicativo de 16 transações financiadas pelos recursos captados.
O que vem pela frente
Com o pipeline de oportunidades mapeado, a Éxes pretende acompanhar novas janelas de captação em cenários de maior liquidez para o setor imobiliário. A gestora vê no segmento de incorporação imobiliária um espaço com potencial de financiamento mais barato, especialmente por meio de CRIs com isenção fiscal, o que pode favorecer futuras originações e estruturas de financiamento alinhadas aos cronogramas de obras.
Em meio ao cenário macro de crédito, a Éxes reforça que continuará explorando oportunidades de captação e ajustes na carteira para sustentar o crescimento do EXES11, aproveitando a combinação entre isenção de CRIs, tickets menores e a disponibilidade de projetos no pipeline.
Fonte: NeoFeed