Neta árabe revela segredo no Tribunal Superior Eleitoral
By Iris Andrade
Neta de árabes assume cargo de destaque no Tribunal Superior Eleitoral
Desde meados de 2024, uma brasileira descendente de árabes integra o quadro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atuando na Secretaria-Geral da Presidência. Sua trajetória combina experiência jurídica, atividades culturais e dedicação ao serviço público, evidenciando um perfil multifacetado e comprometido com o país.
Carreira e atuação profissional
Andréa Maciel Pachá nasceu em Petrópolis, Rio de Janeiro, e possui uma trajetória marcada por diversos desafios e conquistas. Formada em Direito aos 21 anos, ela iniciou sua carreira como advogada, mas logo buscou ampliar suas experiências profissionais, investindo também na cultura. Durante cinco anos, estudou dramaturgia, sociologia, filosofia e psicanálise, concentrou-se na produção teatral e trabalhou com nomes renomados como Rubens Corrêa e Amir Haddad.
Em 1994, passou em concursos públicos e tomou posse como juíza no interior do Rio de Janeiro, posteriormente atuando em Petrópolis. Durante quase duas décadas, trabalhou na Vara da Família, realizando mais de 20 mil audiências e contribuindo para a criação do Cadastro Nacional de Adoção e das Varas de Violência contra a Mulher em todo o Brasil. Sua experiência também inclui uma atuação como conselheira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), entre 2007 e 2009.
Compromisso com a linguagem acessível e cultura
Preocupada com a compreensão do sistema jurídico pela população, Andréa criou, junto do professor Pasquale Cipro Neto, um projeto para simplificar a linguagem dos processos judiciais e combater o uso excessivo do “juridiquês”. Ela acredita que a comunicação clara é fundamental para facilitar o acesso aos direitos comuns.
Apesar de suas atividades no direito, Andréa manteve uma forte ligação com a cultura. Seus livros, como A vida não é justa (2012), Segredo de Justiça (2014) e Velhos são os outros (2018), abordam temas relacionados à justiça, sociedade e vida cotidiana, e tiveram grande repercussão. Enquanto um de seus livros virou série na TV Globo, outros foram adaptados para o teatro.
Participação e reconhecimento na literatura e sociedade
Relativamente à literatura, Andréa também colaborou com obras coletivas, como Sobre femininos e Nós… Mulheres do Século Passado. Ela faz parte da Academia Líbano-Brasileira de Letras, Artes e Ciências, recebendo convites pelo seu esforço em promover laços culturais entre Brasil e Síria.
Influências familiares e raízes árabes
A trajetória de Andréa foi fortemente influenciada pela avó paterna, Elvira Bittar Pachá, que veio da Síria na juventude. Segundo ela, as reuniões familiares dominicais, que retratavam as histórias de sua avó, despertaram seu amor pela narrativa e pelo cuidado com o próximo. Mesmo sem aprender a ler e escrever em árabe, Elvira incentivou todos os netos a dominarem o português, preservando a tradição oral.
O pai, Miguel Pachá, também desempenhou papel importante na decisão profissional de Andréa. Advogado, juiz e presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ele inspirou sua filha a seguir a carreira jurídica, além de reforçar valores de dedicação e serviço público.
Atualidade e futuro
Atualmente, Andréa trabalha na Secretaria-Geral da Presidência do TSE ao lado da ministra Cármen Lúcia, até o próximo junho de 2026. Ela destaca que a ministra representa os ideais de compromisso e administração pública que ela valoriza profundamente.
Compromisso com os direitos humanos e cultura
Por paixão pela cultura, Andréa investiu também na dramaturgia, cinema e literatura, criando uma ponte entre suas paixões e sua atuação jurídica. Em suas iniciativas, ela busca humanizar o sistema de justiça, facilitar o acesso aos direitos e promover a cultura como ferramenta de transformação social.
Fonte
Fonte: Agência de Notícias Brasil-Árabe