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Navio vira hotel à beira-mar incrível

By Iris Andrade

Navio histórico se transforma em hotel de luxo à beira-mar na Indonésia

Depois de décadas cruzando oceanos, um antigo navio encontrou uma aposentadoria de alto padrão na ilha de Bintan, Indonésia. O projeto de conversão, liderado por um empresário ligado ao mundo náutico, resultou no Doulos Phos Ship Hotel, hoje um empreendimento hoteleiro com classificação cinco estrelas.

Quem está por trás da transformação

O responsável pela ideia é Eric Saw, conhecido por sua paixão pelo universo marítimo. Segundo ele, o que começou como um sonho de dar nova vida a uma embarcação ganhou um “chamado” de Deus para se tornar um hotel flutuante. O projeto levou 15 anos para ficar pronto e teve um custo estimado em 18 milhões de dólares.

História do navio: de cargueiro a biblioteca flutuante

O navio em questão começou sua trajetória em 1914, pouco tempo após o naufrágio do Titanic. Inicialmente batizado de SS Medina, ele saiu do estaleiro em Newport News, nos Estados Unidos, para atuar como cargueiro de produtos agrícolas. Ao longo de cerca de um século, passou por várias mudanças de uso e nomes, servindo como navio de cruzeiro com o nome SS Roma e, mais tarde, MS Franca C.

Em 1977, foi adquirido para funcionar como navio missionário e biblioteca flutuante, recebendo o nome MV Doulos. Ao longo de sua vida, o navio percorreu mais de 100 países, navegou centenas de milhares de milhas e chegou a ser reconhecido como o navio de passageiros em operação mais antigo dos mares.

Da aposentadoria ao berço definitivo

Devido a necessidades contínuas de manutenção e aos efeitos do tempo, o navio foi leiloado em Singapura, quatro anos antes de completar 100 anos. O empresário Eric Saw adquiriu a embarcação e definiu seu destino final na ilha de Bintan, Indonésia. Em outubro de 2015, já com o nome MV Doulos Phos — que significa “servo da luz” em grego —, a unidade partiu para a viagem final e foi instalada sobre um leito de concreto, sustenido por estacas que se estendem a 40 metros abaixo do leito marinho.

Preservação do patrimônio e modernização para hotelaria

Para manter a essência histórica, as equipes conservaram ao máximo os vestígios de patrimônio que podiam ser aproveitados. Artefatos como as quatro bóias de salvamento, correntes ao longo do navio e rebites originais do casco foram incorporados à decoração. No interior, cabines simples foram ampliadas e convertidas em suítes confortáveis, com elevadores, escadas de incêndio e instalações elétricas e hidráulicas modernas para atender às normas de segurança de um hotel.

O proprietário também preservou itens que carregam memória do navio, incluindo o sino original, que permanece como peça emblemática do espaço. A escolha de ancorar o hotel em um terreno com formato de âncora foi adotada para reforçar a identidade marítima da atração.

Impacto social e destino dos lucros

Além de oferecer uma hospedagem única, o projeto tem um viés filantrópico: o proprietário abriu mão de seu salário de capitão e destinou todo o lucro operacional a causas beneficentes. O projeto é visto como exemplo de reutilização criativa de ativos históricos e de sustentabilidade na hospitalidade.

Para quem quiser conferir mais detalhes sobre a transformação, há registros de imagens e relatos de visitas ao longo da jornada do navio-hotel.

Fonte: CicloVivo

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