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Multipropriedade em alta atrai investimentos

By Iris Andrade

Multipropriedade no Brasil acelera crescimento, atraindo investimentos de alto padrão

À medida que o mercado brasileiro amadurece, a multipropriedade tem ganhado espaço significativo, com aporte de milhões de reais em novos projetos e o surgimento de opções de alto padrão. Um levantamento recente aponta que o setor já soma mais de 1,2 milhão de cotas lançadas, impulsionado pela demanda por lazer e destinos turísticos consolidados.

Panorama do mercado

Relatório da Caio Calfat Real Estate Consulting indica que existem 216 empreendimentos de multipropriedade no país, com um Valor Geral de Vendas (VGV) potencial superior a R$ 92 bilhões. A distribuição por regiões mostra maior concentração no Sudeste, seguida pelo Sul e Nordeste, refletindo a expansão do modelo e a pouca recorrência de práticas anteriores de segunda residência.

O estudo também observou que o perfil de compradores continua sendo majoritariamente da classe média, com mais de 40% adquirindo cotas entre 5 e 10 salários mínimos. Mesmo com esse público, há espaço para projetos de alto padrão, à medida que o mercado amadurece e ganha aceitação cultural e jurídica.

Projetos de alto padrão em foco

  • GAV Resorts — maior destaque recente no segmento de alto padrão. A empresa, que já lançou 13 empreendimentos, planeja investir mais de R$ 517 milhões em dois novos projetos neste ano, um no Nordeste e outro no Sul. O Pyrenéus Residence, em Pirenópolis (GO), foi entregue em julho, com 150 apartamentos em quase 12 mil m² de área construída, investidos em R$ 150 milhões. O empreendimento nasceu com 3,9 mil cotas, cada uma custando cerca de R$ 58 mil, e a empresa afirma ter vendido aproximadamente 70% das unidades, garantindo uso de duas semanas por ano aos compradores.
  • Porto 2 Life Resort — em Ipojuca (PE), na região de Porto de Galinhas, será o maior empreendimento da GAV até hoje, com 990 apartamentos e 62 mil m² de área construída. A venda chegou a 27.040 cotas por R$ 67 mil

Casas compartilhadas em foco no segmento de alto padrão

  • MyDoor trabalha com casas compartilhadas em destinos de lazer e já soma mais de 30 imóveis entre litorais de São Paulo, Bahia e Ceará. As cotas variam entre R$ 400 mil e até R$ 4 milhões, com formatos que vão de dois a oito sócios por imóvel.
  • O modelo da MyDoor privilegia flexibilidade: as semanas de uso não são travadas, permitindo fracionamento ao longo do ano. A empresa oferece aplicativo de gestão e concierge para organizar serviços personalizados, como chefs, churrasqueiras, bebidas e reservas de restaurantes.
  • O modelo de propriedade diferencia-se do formato tradicional: quando um novo empreendimento é lançado, cria-se uma sociedade que titulariza a casa; o morador que compra a cota torna-se acionista dessa sociedade, com participação correspondente à fração adquirida.

Atração de novos destinos e incremento no turismo

Destinos temáticos ganham espaço, com projetos que prometem atrair públicos de alto padrão com foco em experiências especiais, como equitação, golfe, vinícolas e windsuf. O setor vem ganhando legitimidade jurídica nos últimos anos, o que aumenta a confiança de investidores e famílias que desejam lazer compartilhado, não apenas uma abituação.

Exemplos recentes incluem o Amazon Park Resort em Penha (SC), com selo da Wyndham Hotels & Resorts. O empreendimento envolve 200 apartamentos e 7 mil cotas à venda, totalizando um investimento de R$ 100 milhões e previsão de entrega até o final de 2026. Segundo o grupo, já houve venda de parte relevante das cotas e o resort oferece 420 leitos para hóspedes que desejarem usar as opções de hospedagem.

Aspectos legais e amadurecimento do mercado

No final de 2018, a lei da multipropriedade regulamentou o uso compartilhado de imóveis. Hoje, cada coproprietário tem o direito registrado de uso por um período específico, com posibilidades de venda, aluguel ou transferência. Especialistas explicam que o modelo funciona como uma espécie de condomínio, com matrícula própria para cada cota, o que facilita financiamento imobiliário. A evolução regulatória, aliada à profissionalização dos empreendimentos, tem ajudado a atrair famílias que antes não viam a multipropriedade com bons olhos.

Desafios e confiança no negócio

Apesar do otimismo, o setor enfrenta críticas sobre distratos e negociações insistentes de cotas. A inadimplência, segundo o estudo da Caio Calfat, subiu de 5% para 8% no último ano, e os estoques variam entre 45% a 50% do total ofertado. Em imóveis com cotas acima de R$ 80 mil, o estoque fica próximo de 70%. Especialistas destacam que a multipropriedade não é um investimento tradicional e o mercado primário ainda é jovem, com possibilidades de revenda no mercado secundário ainda limitadas. O foco, para muitos compradores, continua sendo a experiência de lazer e férias, não apenas a valorização financeira.

Perspectivas futuras

Analistas acreditam que o crescimento virá acompanhado de projetos temáticos e inovação nos modelos de venda e gestão, com ênfase em oferecer experiências personalizadas e redes de serviços de alto padrão. O setor segue convergindo para uma oferta mais diversificada, com o objetivo de ampliar o acesso ao lazer compartilhado e ampliar a participação de diferentes perfis de comprador.


Fonte: Estadão

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