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MRV pode registrar perda de US$ 144 milhões nos EUA

By Iris Andrade

MRV anuncia venda de ativos da sua subsidiária nos Estados Unidos e projeta impacto contábil significativo

A construtora MRV divulgou, na última sexta-feira, que dará início a uma nova fase em seu processo de reestruturação internacional. Segundo o comunicado oficial, uma parte dos imóveis da subsidiária norte-americana, a Resia, será colocada à venda, o que poderá gerar um impacto contábil de até US$ 144 milhões.

Essa decisão faz parte do plano de reduzir o endividamento e melhorar a geração de caixa da subsidiária, com a venda estimada de ativos que deve totalizar US$ 493 milhões até o final de 2026. Desse valor, a maior parte, aproximadamente US$ 365 milhões, será destinada ao pagamento de dívidas do grupo, enquanto os demais recursos deverão ser devolvidos aos investidores dos projetos.

Revisão da estratégia da Resia para operação mais enxuta e rentável

Desde o evento MRV Day realizado em abril de 2025, a companhia vem adotando medidas para transformar o modelo operacional da Resia, focando em desalavancagem financeira e eficiência operacional. Entre as principais ações estão:

  • Venda de US$ 800 milhões em ativos até 2026;
  • Redução dos custos administrativos (SG&A) de US$ 30 milhões para US$ 10 milhões ao ano;
  • Limitação na atuação a, no máximo, dois projetos por ano;
  • Diminuição do capital próprio investido nos projetos, de 30% para 10%.

Essas mudanças representam uma transição do antigo modelo, baseado em alta capitalização e expansão acelerada, para uma estratégia asset light. Assim, a Resia pretende aumentar sua rentabilidade e reduzir riscos, com a expectativa de que a taxa interna de retorno (TIR) possa subir de 36% para 55% nos novos empreendimentos, segundo o CFO Ricardo Paixão.

Impacto contábil aguardado para o segundo trimestre de 2025

Os imóveis que formarão parte da venda já estão classificados como disponíveis para venda na avaliação contábil, e passarão por testes de recuperabilidade. Caso haja necessidade, uma baixa de até US$ 144 milhões será registrada, conforme as normas internacionais de contabilidade (IFRS).

Essa baixa, conhecida como impairment, ocorre quando o valor de mercado de um ativo fica abaixo do seu valor contábil, exigindo o reconhecimento de uma perda que refletirá a condição econômica real da operação. A auditoria independente da MRV será responsável por validar esse valor antes de o ajuste ser registrado.

Foco na redução da dívida e ajuste no perfil operacional

O objetivo principal da estratégia revisada da Resia é diminuir o endividamento nos Estados Unidos, mantendo apenas os projetos mais rentáveis e ajustando sua atuação ao cenário de mercado. A companhia pretende vender mais da metade do landbank, os terrenos disponíveis para desenvolvimento, que atualmente representam uma parcela relevante dos ativos da subsidiária.

Segundo o CFO, Ricardo Paixão, o novo modelo será mais enxuto e eficiente, com maior concentração em tecnologias construtivas padronizadas e produção off-site, que permite maior controle de custos e velocidade de execução.

Comparativo entre o antigo e o novo modelo da Resia

Aspecto Modelo antigo Nova estratégia
Captação de recursos Alta capitalização própria Estratégia asset light
Projetos Consolidados no balanço Financiados fora do balanço
Expansão Acelerada, com riscos Focada em lançamentos pontuais
Custos administrativos US$ 30 milhões/ano US$ 10 milhões/ano
Produtos Diversificados Padronizados
Atuação Segmento competitivo Nichos com demanda aquecida

Contexto de mercado e expectativas

A MRV acredita que o mercado imobiliário dos EUA permanece aquecido em certas regiões, principalmente nos segmentos de renda média e baixa, que continuam a apresentar demanda superior à oferta. Essa conjuntura favorece o modelo mais enxuto, que busca aproveitar oportunidades de forma escalável e de baixo risco.

Compromisso com transparência e governança

A divulgação do potencial impairment reforça a preocupação da MRV com transparência nas suas demonstrações financeiras, considerando a reestruturação internacional. O impacto será tratado como evento não recorrente, sem afetar a geração futura de caixa da companhia, embora altere a composição do balanço patrimonial no curto prazo.

Próximos passos e expectativas

Ainda não há um cronograma detalhado para a venda de ativos específicos, mas o mercado acompanha de perto os desinvestimentos, dada a relevância dos recursos envolvidos. A divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2025 deverá esclarecer o impacto financeiro inicial dessa nova fase da Resia.

Fonte: Contábeis

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