Morte do arquiteto chinês agita Bienal de SP
By Iris Andrade
Arquitetura perde referência global: Kongjian Yu morre em acidente no Pantanal
O arquiteto e paisagista chinês Kongjian Yu, criador do conceito de cidades-esponja, faleceu na noite de terça-feira (23) após a queda de um avião no Pantanal, em Mato Grosso do Sul. A aeronave transportava também três profissionais de cinema, que também perderam a vida no acidente.
A comitiva seguia para o Pantanal após passagem por outras capitais brasileiras, onde Yu estava no Brasil para produzir um documentário junto de Luíz Ferraz e Rubens Crispim Jr., cineastas que acompanhavam o projeto. O ocorrido ocorreu na Fazenda Barra Mansa, área turística da região de Aquidauana.
Entre os passageiros da aeronave, além de Yu, estavam:
- Marcelo Pereira de Barros, piloto e proprietário da aeronave;
- Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz, cineasta;
- Rubens Crispim Jr., diretor de cinema.
De acordo com a investigação inicial, o Cessna, prefixo PT-BAN, saiu do solo e explodiu ao atingir o chão, com os corpos sendo carbonizados. Equipes do órgão responsável pela repressão a crimes e pelo Corpo de Bombeiros permaneciam no local para remoção dos corpos e apuração das causas, que serão investigadas.
Raquel Schenkman, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, descreveu Yu como alguém de “incrível simpatia” e ressaltou a capacidade dele de transformar cidades sob ameaça climática. “Ele mudou a forma como pensamos o espaço urbano, permitindo que águas convivam com as cidades, ao invés de serem confinadas em concreto.”
A presidente da Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo lembrou que Yu ficou conhecido mundialmente pelo conceito de cidades-esponja, que preconiza que áreas urbanas retenham água da chuva para reduzir enchentes, criar reservas hídricas e converter áreas alagáveis em parques e espaços de lazer. Segundo ela, o trabalho dele teve impacto direto no Brasil, onde rios, córregos e bacias hidrográficas exigem soluções que conciliem água, saúde pública e sustentabilidade.
Antes de atuar no Brasil, Yu já havia sido consultor do governo chinês e teve obras implantadas em mais de 70 cidades. Ele defendia uma visão que unia saberes milenares e inovação urbana, com benefícios ambientais e sociais — especialmente úteis diante de extremos climáticos cada vez mais frequentes.
Durante a visita ao país, Yu relatou ter ganhado visibilidade nas ruas após uma reportagem sobre cidades-esponja veiculada pela televisão brasileira Fantástico. Ele também expressou o desejo de conhecer mais o Brasil e de desenvolver um documentário sobre o tema, o que reforçaria a parceria com profissionais locais e com a Bienal.
O Pantanal, onde ocorreu o acidente, é uma das áreas mais sensíveis do Brasil em termos de ecologia e gestão de água. A investigação inicial será conduzida pelo Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) e pelo Corpo de Bombeiros, que atuam na apuração das circunstâncias que levaram ao acidente.
Legado e impacto de Yu ficam evidentes nas palavras de quem acompanhou sua trajetória: ele é lembrado como líder visionário que conectou ciência, tradição e prática urbana para enfrentar mudanças climáticas e desafios hídricos em grandes centros e cidades menores ao redor do mundo.
Fonte: G1