Meu celular e minha casa: descubra o segredo para não enguiçar
By Iris Andrade
Especialista em Educação aponta falhas estruturais na construção civil brasileira ao comparar tecnologia de celulares com habitações
O pesquisador Claudio de Moura Castro, professor e doutor em Economia, descreve em uma leitura de opinião como o Brasil enfrenta um problema grave na construção civil, evidenciado por infiltrações, vazamentos e falhas elétricas em uma casa recente, enquanto a evolução tecnológica de dispositivos móveis avança em ritmo acelerado.
Histórico de moradia e mudanças recentes
Ao retornar ao Brasil em 2001, o autor relata ter adquirido uma cobertura construída com cuidado. Cerca de cinco anos atrás, mudou-se para uma casa cuja construção acompanhou de perto, acompanhando de perto cada etapa do processo. Em contraste com esse cenário, ele ressalta que, durante meados dos anos 90, adquiriu seu primeiro celular e, ao longo do tempo, troca o equipamento por modelos mais rápidos e com recursos adicionais. O autor destaca a complexidade crescente dos dispositivos, mencionando que o celular envolve centenas de milhares de patentes e algoritmos que, por vezes, parecem acoplados a um espaço de microeletrônica em rápida transformação.
Comparação entre tecnologia de casa e tecnologia de celular
Castro sintetiza a diferença entre as duas práticas: enquanto a construção de uma casa moderna se ancora em métodos centenários, com materiais que se consolidaram ao longo de décadas, o desenvolvimento de celulares opera em um terreno de mudanças rápidas e contínuas. Onde a habitação se beneficia de uma engenharia estável e consolidada ao longo do tempo, a eletrônica móvel depende de inovações constantes, subjetivas a falhas repentinas que podem deixar o dispositivo sem funcionar.
Problemas práticos e evidências na moradia
Entre as dificuldades relatadas na nova residência, destacam-se infiltrações no telhado, vazamentos recorrentes nos canos de água e esgoto, e tomadas sem aterramento adequado. O autor aponta ainda descolamento de pisos de PVC e goteiras persistentes no telhado metálico. A narrativa também menciona a atuação constante de empresas de impermeabilização e serviços de desentupimento, sem que síndicos ou autoridades consigam frear a incidência de defeitos.
Comparação internacional e reflexões sobre qualidade
O texto cita experiências de moradia na Suíça, França e Estados Unidos, onde, segundo o autor, mesmo em casas modestas, não há necessidade frequente de bombeiros ou eletricistas para evitar desastres. Em contraste, o Brasil apresenta um cenário em que a indústria da construção parece enguiçar, com projetos de infraestrutura que incorporam materiais de alto padrão, porém com garantias limitadas — por exemplo, mantas impermeabilizantes com garantia de apenas cinco anos.
Diagnóstico sobre responsabilidade e sistema
Castro sugere que a raiz do problema não reside apenas na engenharia em si, mas no funcionamento geral da sociedade: quadro legal distorcido, Justiça lenta e, culturalmente, uma carência de tradição por qualidade no serviço. O autor compara esse comportamento com setores que operam sob regras mais rígidas, como a aviação, onde investigações profundas levam a mudanças estruturais e a uma melhoria contínua de padrões. Ao contrário, na construção, segundo ele, há pouca punição efetiva para falhas, o que perpetua a prática de serviços de baixa qualidade.
Conclusão
Ao longo do relato, é enfatizado que o maior defeito não está apenas na engenharia individual, mas no conjunto estruturante da sociedade brasileira. Entre críticas, o autor aponta possibilidades como falhas na formação de profissionais, desvalorização de profissões ligadas à obra e impunidade para quem executa serviços inadequados. Em síntese, a percepção é de que o Brasil precisa de mudanças profundas no marco regulatório, na fiscalização e na cultura de qualidade para evitar que edificações participem do ciclo de infiltrações e falhas recorrentes.