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Mercados Emergentes Aumentam Captação Com Spread Menor e Otimismo

By Iris Andrade

Mercados emergentes ampliam captação de recursos e apresentam menor spread desde 2007

Nos últimos meses, os países considerados emergentes vêm intensificando suas operações de emissão de dívida internacional, atingindo níveis não vistos desde 2007. Essa recuperação movimentou cerca de US$ 250 bilhões no primeiro semestre de 2025, e a expectativa é que o volume total alcance aproximadamente US$ 370 bilhões até o final do ano, ficando próximo do recorde registrado durante a pandemia. A tendência reflete um cenário de maior otimismo e menor aversão ao risco por parte dos investidores.

Segundo análises de bancos de investimento como JPMorgan e entidades de classificação de risco, a combinação de uma política monetária mais acomodatícia pelo Federal Reserve, juntamente com acordos comerciais e a valorização de bolsas globais, tem impulsionado essa retomada. Além disso, a diminuição do spread — a diferença entre o retorno dos papéis emergentes e os títulos considerados seguros — é o menor desde 2007, sinalizando maior disposição dos investidores em assumir riscos.

Fatores que impulsionam o mercado de títulos emergentes

  • Expectativas de juros mais baixos nos Estados Unidos
  • Reconhecimento de um Fed mais permissivo e menos agressivo
  • Recolhimento de risco por empresas que estavam estagnadas
  • Valorização dos mercados acionários globais, que favorece o apetite por ativos de maior risco

Embora o volume de emissões do Brasil e da Índia continue atraindo demanda mesmo diante de ameaças tarifárias, países como Arábia Saudita e México passaram a liderar o esforço de financiamento externo na América Latina e Oriente Médio. Esses países usam os recursos captados principalmente para sustentar projetos de infraestrutura e equilibrar receitas de petróleo que sofreram impactos recentes.

O impacto das ameaças tarifárias e o otimismo dos investidores

Apesar das discussões acerca de possíveis tarifas de até 50% sobre importações brasileiras ou indianas, os spreads no mercado de dívida emergente permanecem em queda. Essa estabilidade é atribuída ao fato de que os investidores têm avaliado essas ameaças com um grau de tolerância maior, considerando que muitos desses obstáculos podem ser mitigados por regras comerciais específicas ou por o impacto real ser menor do que aparenta inicialmente.

“O mercado está surpreendentemente tranquilo frente às ameaças tarifárias. Os investidores estão olhando além e consideram as exceções e detalhes que podem suavizar os efeitos dessas medidas”, afirmou Alan Siow, da gestora Ninety One.

Outro ponto relevante é a redução do prêmio adicional exigido pelos investidores para comprar títulos de alta qualidade de mercados emergentes, que caiu para menos de 2 pontos percentuais — o menor nível desde 2007. Isso demonstra um apetite maior por risco, atendendo à expectativa de que o cenário macroeconômico global continue favorável apesar das incertezas, como dados mistos de crescimento e riscos políticos.

Reconfiguração do cenário de emissões

O setor de emissões sofreu uma mudança de liderança com a China, que até 2021 dominava o mercado de títulos de países emergentes, mas passou a reduzir suas operações após a crise no setor imobiliário. Em seu lugar, países do Oriente Médio e da América do Norte, como Arábia Saudita e México, têm impulsionado o mercado de captação internacional, usando os recursos principalmente para projetos estratégicos internos.

O México já captou cerca de US$ 12 bilhões neste ano, destinando parte dos fundos à companhia estatal Pemex, enquanto a Arábia Saudita intensificou emissões em dólar para financiar seus projetos de longo prazo.

Resiliência diante de ameaças comerciais

Mesmo com as recentes ameaças de tarifas elevadas por parte de Estados Unidos, o mercado de títulos emergentes mostra resistência. Papéis de alto rendimento, ou high yield, também continuam atraindo investidores, o que indica uma expectativa de que as tensões geopolíticas não se agravem de forma a impactar significativamente os mercados de crédito.

“Apesar das preocupações, a resposta dos mercados tem sido de tranquilidade. Historicamente, muitos anúncios de tarifas não se concretizam ou têm impacto menor do que o esperado”, reforçou Siow.

Conclusão

O cenário aponta para uma continuidade na recuperação do mercado de dívida de países emergentes, apoiada por fatores globais favoráveis e uma maior disposição dos investidores a assumirem riscos. No entanto, a volatilidade permanece presente, especialmente diante de possíveis mudanças na política dos Estados Unidos ou de novas tensões comerciais.

Fonte: análise com base em informações de mercado e dados de instituições financeiras.

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