Mercado imobiliário surpreende com maior volume de lançamentos
By Iris Andrade
Setor imobiliário brasileiro registra novo recorde de lançamentos no primeiro semestre de 2025
O mercado de imóveis no Brasil atingiu um marco histórico no início de 2025, consolidando-se como o melhor desempenho desde o início da série de dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), iniciada em 2006. De janeiro a junho, foram lançadas 186.547 novas unidades, representando um aumento de 6,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
As vendas também mostraram sinais positivos, totalizando 206.903 imóveis comercializados, o que corresponde a uma alta de 9,6%. Nesse período, o Valor Geral de Vendas (VGV) atingiu a soma de R$ 123 bilhões, crescendo 19,4% em relação ao semestre anterior.
Oferta de imóveis em baixa e estoque reduzido
No entanto, apesar do otimismo nas vendas e na quantidade de lançamentos, a oferta de imóveis sofreu uma redução expressiva, de 4,1% em Doze meses, atingindo 290.086 unidades em junho, o menor nível já registrado pelo indicador nacional. Segundo a CBIC, se não forem realizados novos lançamentos, o estoque atual se esgotaria em aproximadamente oito meses, indicando uma possível escassez de novas unidades no mercado.
Desaceleração no segundo trimestre
Nos meses de abril a junho, os lançamentos tiveram uma leve retração, totalizando 93.319 unidades, queda de 6,8% ante o mesmo período do ano passado. Ainda assim, as vendas apresentaram crescimento de 2,6%, somando 102.896 imóveis comercializados, com receita de R$ 63 bilhões. Comparando com o primeiro trimestre de 2025, houve estabilidade, com um ligeiro aumento de 0,1% nos lançamentos e uma diminuição de 1,1% nas vendas.
Programa Minha Casa, Minha Vida impulsiona as vendas
O programa habitacional do governo federal voltou a ser um forte aliado do setor. As unidades vendidas pelo projeto avançaram 25,8%, atingindo 95.483 unidades no semestre. Contudo, a participação do programa nos lançamentos caiu de 53% no primeiro trimestre para 47% no segundo, indicando uma diversificação nas estratégias de negócios do mercado.
Perspectivas para o restante do ano
Segundo o presidente da CBIC, Renato Correia, há uma expectativa de retomada do ritmo de lançamentos no segundo semestre, impulsionada pelo uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e por uma possível redução das taxas de juros. Ainda assim, ele destacou que o cenário atual de juros elevados e a crise econômica internacional trazem desafios ao mercado imobiliário.
“Estamos em um momento em que a queda na taxa de juros ainda não ocorreu, o que limita a disposição para algumas operações de compra e venda. Além disso, a crise econômica global influencia o cenário local”, afirmou Renato Correia.
Por outro lado, o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, acredita que o mercado apresenta sinais de estabilidade, embora já tenha atingido um limite de crescimento com as condições de crédito atuais. “O mercado estava mais aquecido, mas já percebemos que o crescimento tende a estabilizar com o cenário financeiro de agora”, declarou.
Especialistas apontam que, apesar do bom desempenho recente, o setor enfrenta um momento de incertezas que podem afetar o ritmo de lançamentos e vendas nos próximos meses.
Fonte: Money Report