Mercado imobiliário em Portugal surpreende
By Iris Andrade
Mercado imobiliário em Portugal registra forte aquecimento em 2025
O segundo trimestre de 2025 trouxe números expressivos para o mercado de imóveis em Portugal. Dados oficiais indicam que as vendas entre abril e junho atingiram 42,9 mil imóveis, um aumento de 15,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, acompanhado de uma valorização de preços de 17,2% no mesmo intervalo.
O ritmo de negócios ficou ainda mais claro quando observados os valores movimentados: as transações somaram 10,3 bilhões de euros, com as famílias portuguesas respondendo pela maior parte da demanda, adquirindo 37,7 mil imóveis (87,9% do total) por um montante de 8,9 bilhões de euros.
Desempenho por tipo de imóvel
- Imóveis usados: 34,6 mil unidades vendidas, +16,7% a/a, movimentando 7,6 bilhões de euros (+33,6%).
- Imóveis novos: 8,3 mil unidades, +10,9% a/a, com volume de 2,6 bilhões de euros (+22%).
No acumulado de 12 meses, imóveis usados valorizaram 18,3% e os novos 14,5%. O índice médio anual ficou em 13,8%, a taxa mais alta já registrada pelo indicador até o momento, segundo o INE. Esse ritmo acelerado tem pressionado especialmente os jovens compradores, mesmo com incentivos fiscais e garantias públicas mantidos pelo governo.
Os aluguéis continuam acompanhando a tendência de alta, refletindo o ciclo de valorização do mercado.
Perfil de compradores e demanda estrangeira
- Compras por famílias residentes em Portugal aumentaram sua participação para 17,7% no período analisado.
- Compradores estrangeiros registraram queda: apenas 2,1 mil imóveis adquiridos entre abril e junho de 2025, -14,5% frente a 2024.
- Entre compradores de fora da União Europeia houve recuo de 18,6% (995 imóveis); da União Europeia, queda de 10,5% (1.112 imóveis).
A redução da participação de estrangeiros contrasta com o desempenho robusto da demanda interna, que segue impulsionando o mercado em meio a uma oferta limitada.
Regiões em destaque
A distribuição regional revela um cenário desigual entre volume de transações e valor financeiro agregado.
- Norte: 12,9 mil imóveis vendidos (30,2% do total), movimentando 2,7 bilhões de euros.
- Área Metropolitana de Lisboa: 8,2 mil imóveis (19,1%), mas com o maior peso no valor, superior a 3 bilhões de euros (cerca de 30,7% do total nacional).
- Centro: 15,9% das vendas, com distritos como Coimbra, Leiria, Viseu e Castelo Branco ganhando destaque.
- Alentejo, Algarve, Açores e Madeira: presença menor, porém importantes para turismo e certificação regional.
O que isso significa para investidores, especialmente brasileiros
Para quem acompanha o mercado brasileiro, Portugal já não oferece as mesmas condições da década passada, quando programas como vistos gold e incentivos fiscais facilitavam a compra por estrangeiros. Embora a valorização de 17,2% em 12 meses permaneça forte, o impulso vem principalmente da demanda doméstica, o que pode dificultar a obtenção de liquidez rápida para quem busca ganhos rápidos.
Em perspectiva de longo prazo, Lisboa e Porto continuam como mercados estratégicos. Imóveis novos e de alto padrão nessas cidades mantêm valor de referência e servem como proteção contra a inflação, atraindo compradores de maior poder aquisitivo e oferecendo estabilidade.
Canais futuros e desafios do mercado imobiliário português
O balanço do INE aponta um setor sob pressão: políticas de estímulo e crédito mais acessível estimulam a demanda familiar, mas a oferta insuficiente mantém os preços em elevação e reduz a acessibilidade à classe média.
A queda da presença de compradores estrangeiros pode atenuar pressões especulativas em áreas turísticas, mas não resolve a raiz do problema: a baixa oferta de imóveis novos. Sem resposta eficaz na produção do setor, o mercado tende a permanecer marcado por preços elevados e desafios de acessibilidade.