Mercado Imobiliário Cresce 18,6% e Tarifa de Trump Pode Impactar
By Iris Andrade
O mercado imobiliário brasileiro encerrou 2024 com resultados bastante positivos, mesmo diante de um cenário global de instabilidade. De acordo com dados do setor, houve um crescimento de 18,6% nos lançamentos de novas unidades, totalizando aproximadamente 383.500 imóveis distribuídos por 221 cidades brasileiras. Além disso, o Valor Geral de Lançamentos (VGL) registrou aumento de 20,72% em relação ao ano anterior. Nesse contexto, destaque para o programa Minha Casa Minha Vida, que apresentou um crescimento de 43,5% no número de empreendimentos lançados, reforçando sua importância na sustentação do mercado de habitação popular.
Segundo o experiente analista do setor imobiliário e CEO do CIMI360, Heitor Kuser, esses números demonstram a resistência e inovação das empresas no momento de desafios econômicos. Ele salienta que a demanda por imóveis permanece forte, alimentada por um déficit habitacional estruturado no país. “Imóveis continuam sendo considerados investimentos seguros, o que mantém o apetite por novas aquisições. Além disso, o setor tem investido em inovação para ampliar sua atratividade”, explica.
Por outro lado, o avanço na recuperação do mercado se dá em um cenário de preocupação global. Recentemente, a Administração de Donald Trump anunciou a possibilidade de elevar tarifas de importação de produtos brasileiros em até 50%. Apesar de essa medida não impactar diretamente o segmento residencial imediato, ela preocupa os investidores institucionais e o mercado corporativo que financiam grandes projetos no Brasil.
Heitor Kuser aponta que essa decisão, mesmo que de forma indireta, pode afetar a confiança dos fundos internacionais, reduzindo o interesse em projetos de maior porte e alterando estratégias a médio e longo prazo. Investidores essenciais para o crescimento de setores como imóveis comerciais e infraestrutura podem se retrair diante de um ambiente internacional mais adverso.
Diante deste panorama, as incorporadoras têm adotado estratégias inovadoras, com foco na redução de custos por meio de tecnologias construtivas, priorizando insumos e mão de obra nacionais. A atenção também se volta para nichos com alta liquidez, como imóveis compactos e empreendimentos com forte apelo ambiental e de eficiência energética, buscando manter a competitividade mesmo em tempos de incerteza.
Para Heitor Kuser, a resiliência do mercado brasileiro até aqui é evidente, mas é fundamental que o setor esteja atento às mudanças no cenário internacional. Ele reforça que um planejamento robusto, aliado à valorização dos diferenciais locais, será crucial para assegurar o crescimento sustentável do mercado imobiliário nos próximos anos diante de possíveis reações globais às medidas de tarifas dos Estados Unidos.
Fonte: Revista Soberana.