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Mercado imobiliário: Brasil e mundo, entenda

By Iris Andrade

Brasil encerra semestre com números recordes no setor imobiliário

O mercado imobiliário brasileiro registrou marcas históricas no primeiro semestre, com 206.903 unidades vendidas e um crescimento de 9,6% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Os lançamentos totalizaram 186.547 unidades, apontando uma alta de 6,8% frente ao ano anterior.

O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida continua impulsionando o setor, respondendo por 53% dos lançamentos e 47% das vendas no período. O programa apresentou expansão de 25,8% no semestre, com 95.483 unidades comercializadas apenas no primeiro trimestre.

No que diz respeito aos preços, imóveis em leilão no Rio de Janeiro e em outras capitais apresentaram valorização real: entre junho de 2024 e junho de 2025, o preço médio do metro quadrado subiu 7,49%, superando a inflação de 5,37% no mesmo intervalo. O valor médio ficou em R$ 9.319 por m², com Vitória registrando uma valorização de 11,88% no semestre, conforme a CBIC.

“Não existe uma determinação específica para o período de venda no Brasil”, afirma o administrador e corretor Clébson Cruz, apontando fatores como proprietários difíceis, problemas de documentação e ajustes de preço como motivos para imóveis permanecerem no mercado por períodos prolongados.

“No Brasil, não existe determinação específica para o período de venda, e propriedades podem permanecer disponíveis por um a dois anos ou mais devido a fatores como proprietários difíceis, documentação e valores fora de preço.”

Distinções globais: cenários de crédito e acessibilidade

Nos Estados Unidos, as hipotecas de 30 anos ficam entre 6,5% e 6,7%, um patamar que alimenta uma crise de acessibilidade. Estima-se que aproximadamente 75% das famílias, equivalentes a 100,6 milhões de lares, não possuem renda suficiente para comprar uma casa média nos EUA, avaliada em US$ 460 mil.

O Canadá, por sua vez, apresenta maior acessibilidade com hipotecas de cinco anos entre 4% e 4,6%, embora haja estagnação no crescimento de preços. No segundo trimestre de 2025, o país registrou alta de apenas 0,3%, com Toronto (-3%) e Vancouver (-2,6%) registrando quedas.

Rentabilidade de aluguel e comparação internacional

A rentabilidade de aluguel no Brasil fica em média de 5,71%, com destaques para Santos (8,73%), Recife (8,36%) e São Paulo (7,23%). Esses níveis superam mercados como Portugal (≈4,57%) e rivalizam com cidades americanas como Chicago (≈8,12%). Investidores em leilões de imóveis judicial podem encontrar retornos ainda mais atrativos quando comparados a cidades como Nova York (≈4,76%).

Tempo de venda, construção e custos: perspectivas distintas

O tempo de comercialização no Brasil é variável: não há uma regra fixa, e imóveis podem permanecer por um a dois anos ou mais devido a fatores como documentação e negociações de preço.

Nos EUA, as transações costumam ocorrer com maior eficiência, entre 30 e 60 dias, em um sistema de exclusividade nacional em que um único corretor captador atua e recebe uma comissão de 3% de um total de 6%.

Quanto à construção, o ritmo difere bastante: incorporações brasileiras costumam levar entre 30 e 36 meses para ficarem prontas, enquanto obras nos Estados Unidos costumam ser concluídas em 9 a 12 meses, reflexo do rigor das vistorias em etapas.

Custos de transação: Brasil ainda pode ser mais competitivo

O Brasil oferece uma estrutura de custos relativamente competitiva, com gastos totais entre 5% e 8% do valor do imóvel, incluindo ITBI entre 2% a 5% e taxas cartoriais entre 1% a 2,5%.

Mercados europeus, em geral, apresentam custos mais elevados: Espanha fica entre 10% e 15% (com Imposto de Transmissão Patrimonial entre 6% a 10% para imóveis usados), e Alemanha entre 7% e 12% (com imposto de transferência entre 3,5% a 6,5%).

Para operações envolvendo instituições financeiras, como leilões de imóveis de bancos, o Brasil mantém uma estrutura de custos relativamente mais acessível.

Fonte: Antonio Naressi – Repórter Naressi

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