Mercado de FIIs pode reagir com corte de juros, aponta gestor
By Iris Andrade
Oportunidades em Fundos Imobiliários Surfestem Ambiente de Juros Elevados, Segundo Especialista
Apesar do cenário de alta nos juros, o mercado de fundos imobiliários (FIIs) apresenta boas perspectivas, especialmente em ativos de renda fixa e de tijolo. Essa visão foi compartilhada por Carlos Martins, sócio e gestor da Kinea Investimentos, durante participação na feira de investimentos Expert XP.
Perspectivas para fundos de recebíveis
Martins afirmou que enquanto a taxa Selic permanecer elevada, os FIIs de papel, mais conhecidos como fundos de recebíveis, tendem a se sair bem. Esses fundos se beneficiam do CDI alto e oferecem dividendos atrativos, desde que tenham uma carteira de crédito sólida.
Ele recomenda que investidores priorizem fundos de grande porte, geridos por empresas com bom histórico, que apresentam diversificação de ativos. Para Martins, essa estratégia reduz riscos e aumenta as chances de ganhos consistentes.
Desafios para os fundos de tijolo
Em relação aos fundos de tijolo, Martins explicou que a alta nos juros impacta diretamente esses ativos, tornando sua performance mais sensível ao cenário econômico.
Porém, ele acredita que uma possível estabilidade ou redução futura da Selic pode abrir espaço para recuperação. Segundo ele, o mercado já demonstra sinais de que a hora de comprar cotas de fundos de tijolo pode estar chegando.
“Quando a taxa começar a cair, esses fundos devem se valorizar, e essa é uma oportunidade para quem buscar ganhos no médio prazo”, destacou o gestor.
Impacto de propostas de tributação
Martins também comentou sobre a proposta de tributar os dividendos em 5% a partir de 2026. Apesar das incertezas, ele acredita que essa mudança deve afetar principalmente os novos produtos, não os ativos já existentes.
Por isso, ele recomenda que investidores mantenham posições em fundos isentos de impostos até o fim do ano, aproveitando o momento favorável para montar uma carteira diversificada e com potencial de valorização futura.
O gestor também criticou a proposta de unificação da alíquota de IR em 17,5%, argumentando que ela pode desestimular investimentos de longo prazo, uma vez que incentivos dependem de regras fiscais claras e favoráveis.
O futuro dos fundos imobiliários no Brasil
Martins ressaltou que, mesmo após o impacto do cenário macroeconômico adverso, a indústria de fundos imobiliários mantém seu potencial de crescimento. Segundo ele, o brasileiro continua interessado nesse tipo de investimento, muito por sua liquidez, diversificação e gestão profissional.
“O investidor prefere imóveis em fundos, pois consegue acessar uma variedade maior de ativos com menos risco e maior praticidade do que comprar imóveis diretamente”, explicou.
Considerações finais
Para o gestor, a temporada de cortes de juros no Brasil deve impulsionar o mercado de FIIs nos próximos meses. Ele vê essa fase como uma janela de oportunidade para investidores que desejam comprar cotas com dividendos atrativos e potencial de valorização futura.
O momento exige atenção e análise cuidadosa das opções disponíveis, priorizando fundos com gestão experiente e carteira diversificada, que possam se beneficiar do cenário de baixa dos juros.
Fonte: Money Times