Mercado americano dribla leis anti-Airbnb
By Iris Andrade
Como o mercado americano está contornando restrições de locação de curta duração
Em meio a debates globais sobre a regulamentação de aluguéis de curta temporada, os Estados Unidos encontraram uma estratégia para manter a lucratividade diante de mudanças legais. A solução passa pela criação de modelos imobiliários com regras claras que protegem o investimento de quem compra unidades para locação temporária.
Contexto global e impactos no mercado
Ao redor do mundo, as locações de curta duração, associadas a plataformas como Airbnb, atraíram disputas jurídicas e conflitos em condomínios. Moradores reclamaram de convivência com fluxo intenso de visitantes, alegando insegurança, bagunça e informações conflitantes com regras locais. Em várias cidades, governos optaram por restringir geograficamente esse modelo ou transferir a definição para assembleias de condomínio, como tem ocorrido no Brasil após decisões judiciais recentes.
Além das questões locais, o formato influencia a economia, pressionando valores de imóveis para moradia. Esse fenômeno, conhecido como “efeito Airbnb”, elevou a rentabilidade de imóveis para aluguel de curto prazo, reduzindo a oferta de moradias tradicionais e dificultando o acesso à casa própria em cidades com grande fluxo turístico. Cidades como Nova York, Berlim e Barcelona adotaram medidas rígidas para conter esse modelo de negocio.
Uma resposta para investidores e incorporadoras
Para reduzir a incerteza diante de alterações regulatórias, algumas incorporadoras passaram a desenvolver empreendimentos inteiros dedicados a locações de curta temporada. Esses empreendimentos registram a finalidade de aluguel temporário no próprio condomínio, oferecendo segurança jurídica de que o modelo se manterá estável ao longo do tempo.
Caso de Miami: apostas em luxo com garantia de aluguel curto
Na cidade de Miami, duas companhias destacam-se por apostar em projetos desenhados especificamente para investidores interessados em renda recorrente de curto prazo. A Sixth Street Miami Partners, em parceria com a GFO Investment, lançam dois empreendimentos no centro da cidade, com divulgação explícita de canais de comercialização para aluguel temporário, como plataformas digitais e hotéis.
Gale Hotel & Residences
- Projeto concluído recentemente, com mais de 70% das 160 unidades já vendidas.
- Compreende apartamentos mobiliados entre 50 e 110 m², com serviços de hotelaria de luxo, como arrumação diária e lavanderia, além de cozinha equipada.
- Unidades à venda variam de aproximadamente 515 mil a 1,4 milhão de dólares; possibilidade de financiamento com amortização via renda da locação.
14 ROC
- Torre residencial de luxo em construção, com 283 unidades, no centro de Miami, no “Signature District”.
- Garantia de locação de curta duração, mesmo não sendo registrado como hotel; entrega prevista para 2027.
- Faixa de venda de 550 mil a 1,1 milhão de dólares, com plantas de 45 a 100 m²; término de cerca de 40% dos imóveis já vendida; Brazilians figuram entre os compradores.
Perspectivas e perspectivas de mercado
A corretora Flavia Brito Hayoun, da Cervera, ressalta que o 14 ROC tem atraído demanda por oferecer segurança de locação de curta duração em uma área com dinâmica de turismo em rápida evolução. Ela afirma que o modelo busca equilibrar conforto de morar com potencial de lucro para quem investe, algo que, segundo ela, poucas opções em Miami conseguem oferecer.
Dados históricos indicam que 2022 foi um ano recorde para locações de curta temporada em Miami, com a cidade recebendo mais de 19 milhões de turistas anuais. Esse fluxo deve permanecer alto, impulsionado por eventos existentes e por novidades na agenda turística, como grandes eventos internacionais.
Contribuição para o ecossistema local e lições para o Brasil
Projetos como o Gale e o 14 ROC ilustram como planejamentos orientados ao investidor podem antecipar mudanças regulatórias, reduzir incertezas e impulsionar a economia local por meio de demanda por hospedagem. A experiência de Miami serve de referência para mercados emergentes, incluindo o Brasil, que já enfrentam restrições maiores ao modelo de locações de curta duração.
Fonte: VEJA