Marcas d’água se Transformam em Arte na CASACOR RS 2025
By Iris Andrade
Casacor RS 2025 apresenta espaços que ressignificam marcas de enchentes com sensibilidades arquitetônicas
Durante a edição de 2025 da Casacor Rio Grande do Sul, dois ambientes se destacaram por sua forte carga emotiva ao transformar marcas deixadas pela enchente de 2024 em símbolos de resistência e esperança. Os espaços, mais do que meros refúgios estéticos, revelam o poder da arquitetura de tocar a cidade de modo delicado, refletindo uma narrativa de superação coletiva.
Refúgio da Lino Arquitetura: uma metáfora de resiliência

O espaço criado pela Lino Arquitetura propõe uma experiência sensorial que remete à cheia que atingiu o local durante o evento climático. O revestimento do piso sobe pelas paredes, até 1,80 metro de altura, simbolizando o limite máximo atingido pela água. Essa escolha transforma o material em uma metáfora visual e tátil, representando a força do público gaúcho diante da adversidade.
Uma homenagem à força do povo gaúcho
Situado no antigo aeroporto de Porto Alegre, o ambiente emerge como uma celebração da capacidade de superar. A combinação de cores terrosas, materiais naturais e obras de artistas locais cria um clima de introspecção. A marca da água presente na parede à altura de 1,80 m simboliza não a perda, mas a superação, reforçando uma mensagem de esperança e reconstrução. Cada elemento foi pensado para refletir a força e a beleza do Rio Grande do Sul, demonstrando que a resiliência é a semente do renascimento.
Ares de calma e conexão
Com uma paleta de tons terrosos, o presença de arte local e texturas naturais, o espaço convida ao reencontro com a vida e ao fortalecimento de laços entre as gerações. Um ambiente que acolhe, protege e transforma a memória da enchente em um símbolo de continuidade, atuando como um refugio emocional para seus visitantes.
Gabinete da Família: memória silenciosa e convivência

O projeto assinado por Mariana Fogliato e Giovana Muller define com delicadeza a marca da enchente na composição do espaço. A altura dos painéis remete à leveza do reencontro entre diferentes gerações, promovendo um ambiente de diálogo longe do uso excessivo de telas. Materiais como madeira, tecidos e formas orgânicas reforçam a sensação de calma e permanência.
Memória registrada na linha d’água
A presença sutil da linha d’água, incorporada ao design de modo respeitoso, sugere um silêncio comunicativo, uma memória partilhada que não necessita de palavras para se expressar. O ambiente busca promover uma conexão emocional profunda, onde a história do local é vista como um elo de continuidade.
Transformando marcas do passado em símbolos de esperança
Esses dois espaços destacam como a arquitetura pode ir além da estética. Eles funcionam como narrativas internas, marcando paisagens internas com marcas do passado que se tornam símbolos de força e criação de novos futuros.
Informações práticas da mostra
- Quando: de 14 de maio a 13 de julho de 2025
- Onde: Av. dos Estados, 747 – Bairro Anchieta, Porto Alegre/RS
- Horários: Terça a sexta, das 14h às 20h (com encerramento às 20h30); sábados, domingos e feriados, das 12h às 20h (com encerramento às 20h30)
- Ingressos: Inteira R$ 96, meia R$ 48
- Bilheteria digital: disponível no site oficial do evento
- Estacionamento: R$ 30 no local
A mostra reafirma o papel da arquitetura como uma ferramenta de memória, emoção e transformação social, demonstrando que marcas do passado podem ser elementos de esperança e reconstrução.
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