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Lula solicita mais recursos para facilitar crédito à classe média

By Iris Andrade

Presidente Lula exige recursos para ampliar crédito imobiliário para a classe média

Nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a necessidade de encontrar soluções de financiamento para o setor habitacional do país. Em uma cerimônia virtual realizada no Palácio do Planalto, Lula destacou que a principal fonte de recursos para crédito imobiliário, a caderneta de poupança, vem sofrendo saques expressivos, o que prejudica a expansão do programa habitacional.

Demandas por novas fontes de financiamento

Durante o evento, Lula solicitou que a equipe do Governo e o Banco Central trabalhem juntos para identificar alternativas de financiamento para facilitar o acesso à casa própria, especialmente para a classe média. Ele reforçou a importância de ampliar o programa Minha Casa, Minha Vida, que, segundo suas palavras, visa atender trabalhadores que ganham até R$ 12 mil mensais.

“Fizemos uma reunião em junho, e ficou decidido apresentar o maior programa habitacional da história do país. Não só para os mais pobres, mas também para a classe média. Essas pessoas também têm direito à casa”, afirmou Lula.

O presidente cobrou uma resposta rápida do time governamental, incluindo os ministros das Cidades, Rui Costa; da Casa Civil, Jader Filho; o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira; a vice-presidente de Habitação, Inês Magalhães; e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Situação atual da poupança e possibilidades de atuação

Até julho de 2025, a caderneta de poupança apresentou um resgate líquido de R$ 49,6 bilhões, sendo que, em junho, houve uma entrada líquida de R$ 2,1 bilhões, resultado atípico após meses de saques contínuos. Desde o início do ano, a soma dos saques chega a um total de R$ 49,6 bilhões, sendo que nos anos de 2023 e 2024, os resgates líquidos atingiram R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. Essa tendência é atribuída, principalmente, à manutenção da taxa básica de juros (Selic) em patamar elevado, incentivando aplicações em outros tipos de investimento.

Propostas para ampliar o crédito imobiliário

O ministro das Cidades, Jader Filho, sugeriu a redução dos depósitos compulsórios sobre os recursos da poupança, um mecanismo pelo qual o Banco Central exige atualmente que os bancos recolham 20% dos depósitos para garantir liquidez. De acordo com ele, essa medida poderia liberar mais recursos para financiamentos de moradias.

Além disso, Jader destacou a necessidade de limitar o uso desses recursos exclusivamente para contratos de habitação e estabelecer limites na taxa de juros. Segundo o ministro, tais condições são essenciais para garantir que os recursos sejam direcionados ao benefício da classe média, que enfrenta dificuldades para obter crédito.

Ele também anunciou que haverá uma nova rodada de negociações com o Banco Central, com a participação do presidente Lula, para definir o destino dos recursos, que devem ser reservados prioritariamente à habitação, evitando sua utilização em outros setores, como comércio e construção de shoppings.

Entregas e melhorias no programa habitacional

Na mesma ocasião, Lula participou da entrega simultânea de 1.876 moradias em seis cidades nas regiões Norte e Nordeste. Entre os locais beneficiados estão Pojuca e Paulo Afonso, na Bahia; Horizonte, no Ceará; Açailândia, Maranhão; Teresina, Piauí; e Chapada de Areia, Tocantins.

As residências entregues no Ceará representam a primeira contratação de moradias sob os novos moldes do programa, que passou por melhorias de qualidade, incluindo varandas, condomínios bem localizados e a presença de equipamentos públicos, como bibliotecas. Lula reforçou a importância de oferecer dignidade às famílias, destacando a relação entre uma casa segura, acesso à saúde, educação e oportunidades de trabalho.

“O valor da casa para uma pessoa pobre é uma questão de segurança na vida. E é por isso que temos o compromisso de construir moradias de qualidade, com o máximo de recursos disponíveis”, afirmou Lula.

Perspectivas para o futuro

O presidente também anunciou que novas entregas de moradias estão previstas para as próximas semanas, reforçando o compromisso do governo de ampliar o acesso à habitação. Os próximos passos envolvem ajustes nas políticas de financiamento, com foco na classe média, além de manter o escopo do programa social.

Considerações finais

Segundo especialistas, a iniciativa de Lula em cobrar alternativas de financiamento para o setor habitacional reforça a necessidade de diversificação das fontes de recursos e de ações concretas para facilitar o acesso à moradia para os setores mais vulneráveis e de classe média. As discussões com o Banco Central e os ajustes na política de depósitos da poupança serão decisivos para o avanço dessas propostas.

Fonte: Agência Brasil

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