Jovens preferem locais agitados a apartamentos maiores
By Iris Andrade
Mercado imobiliário de São Paulo demonstra forte adaptação às novas demandas dos consumidores
Segundo Ely Wertheim, presidente executivo do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP), o setor imobiliário passa por um momento de transformação impulsionada pelas mudanças no perfil de compra dos usuários finais. Essas alterações, aliadas aos desafios econômicos atuais, não impedem a continuidade do crescimento acelerado na capital paulista.
Wertheim explica que, apesar das dificuldades como a escassez de mão de obra qualificada, altas taxas de juros e a iminência de reformas tributárias, os incorporadores estão alinhados às novas tendências do mercado. Ele destaca que o comportamento do consumidor é o principal fator que molda a oferta de imóveis, como exemplificado pela preferência por unidades compactas.
Dados recentes evidenciam o dinamismo do setor
- De maio de 2024 a abril de 2025, foram lançadas mais de 119 mil unidades em São Paulo, enquanto 110 mil foram vendidas nesse período.
- A velocidade de vendas é alta o suficiente para que o estoque existente seja esgotado em cerca de sete meses, indicando forte demanda.
O programa Minha Casa, Minha Vida representa quase 75% dos lançamentos e aproximadamente 65% das vendas na cidade, reforçando o papel de políticas públicas de incentivo à moradia popular.
Perspectivas de crescimento e perfil do novo comprador
Apesar dos obstáculos enfrentados, a previsão é de que a expansão imobiliária mantenha-se vibrante. Wertheim reforça que São Paulo possui um mercado que não deve perder força. “O setor está crescendo e não há perspectivas de desaceleração forte”, afirma.
O perfil do comprador também passa por mudanças significativas. Jovens, cada vez mais moradores urbanos, preferem unidades menores, entre 30 m² e 60 m², com infraestrutura adequada para seu estilo de vida.
Novas tendências e demandas do consumidor
- Condomínios com infraestrutura de entregas e espaços de lazer, como quadras de beach tennis e academias, vêm atendendo às expectativas do público jovem e urbano.
- A segurança pública também influencia na preferência por tamanhos menores, uma vez que moradias mais compactas e em áreas seguras facilitam a rotina do dia a dia.
De acordo com Wertheim, as empresas imobiliárias não decidem o que será produzido; quem dita o mercado são os próprios consumidores. O que eles desejam, eles compram, e isso direciona a inovação na oferta.
Desafios na mão de obra e inovação tecnológica
O setor construtivo destaca que, atualmente, a qualificação dos profissionais é crucial. Wadheim observa que, há 30 anos, não era necessário tanto treinamento, mas a evolução nos métodos construtivos tem demandado trabalhadores altamente qualificados. Por isso, entidades como Secovi-SP investem em cursos técnicos e treinamentos para preencher essa lacuna.
Além disso, novas tecnologias auxiliam na substituição de mão de obra menos preparada, aumentando a eficiência e a qualidade das construções. Wertheim alerta que o Brasil precisa avançar na formação de profissionais qualificados para sustentar o crescimento do setor.
Impacto da reforma tributária e tendências futuras
Sobre a reforma tributária, ele destaca que o setor deve enfrentar aumento de custos operacionais devido à obrigatoriedade de aplicar o Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Ainda sem regulamentação definitiva, essa mudança deve complicar o cálculo do ICMS dos negócios imobiliários, elevando despesas.
Por fim, Wertheim reforça que o momento exige coragem e resiliência dos empresários imobiliários. Desenvolver projetos de grande porte, com longos prazos de construção e sob ambiente de instabilidade econômica, demonstra valentia e provoca otimismo cauteloso, mas realista.
O executivo será um dos painelistas do Summit Imobiliário, evento promovido pelo Estadão na próxima segunda-feira, dia 30.
Reflexões finais
Wertheim afirma que a demanda por moradias em regiões com infraestrutura tende a ampliar-se, e as empresas permanecem atentas às mudanças de comportamento. As unidades menores, com recursos de conveniência e segurança, tornam-se cada vez mais comuns à medida que o mercado evolui com as preferências do público.
“Quem compra é quem manda no mercado. Nós apenas produzimos o que o cliente deseja”, conclui.
Fonte:
Notícia de acordo com informações do Secovi-SP.