Indicadores econômicos de Santa Catarina assustam investidores
By Iris Andrade
Sinal de desaceleração na economia de Santa Catarina começa a ficar evidente
Dados recentes indicam que o ritmo de crescimento da atividade econômica no estado de Santa Catarina está mostrando sinais de fragilização, após meses de expansão. Segundo o Índice de Atividade Econômica de Santa Catarina (IBCR), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o indicador apresentou queda de 0,3% em maio, marcando o segundo mês consecutivo de retração.
Nos meses anteriores, a economia catarinense vinha em ritmo de recuperação, registrando um crescimento de 6,1% de janeiro a maio em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar disso, o aumento não tem mais o mesmo vigor que antes, que era sustentado por fatores como a melhora no desempenho do setor agropecuário e uma base de comparação mais favorável, após um início de 2024 marcado por restrições econômicas.
Variações mensais apontam desacordo de setores
- Maio: Comércio ampliado caiu 2,1%, os serviços recuaram 0,9%, e a produção industrial registou uma redução de 0,2% em relação a abril.
Contribuições setoriais no acumulado do ano
- Indústria: crescimento de 4,8% de janeiro a maio, impulsionado por setor de metais, com alta de 19,3%, fabricação de móveis (+10,3%) e produtos minerais não metálicos (+9,4%).
- Comércio: alta de 5,1%, liderada por vendas em artigos de uso pessoal e doméstico, que tiveram aumento de 15,5%. Ainda neste setor, o segmento de materiais de construção cresceu 8,8%, enquanto hipermercados e supermercados apresentaram aumento de 8,1%.
- Serviços: crescimento de 5%, com destaque para atividades ligadas às famílias, que cresceram 10,9%, e o setor turístico, que avançou 9,7%.
Contexto econômico e fatores de influência
Especialistas apontam que o ciclo de alta da taxa básica de juros, que vem desde setembro de 2024, tem impacto direto na economia estadual. De acordo com a economista Camila Morais, do Observatório FIESC, o momento atual reflete a desaceleração provocada pelo aumento dos juros, mesmo com os sinais de recuperação observados nos primeiros meses do ano.
Ela destaca ainda que a base de comparação do início do ano passado, marcada por restrições econômicas, aliado a um melhor desempenho do setor agro na safra de 2025, contribuem para o crescimento em meio a um cenário desafiador.
Perspectivas futuras
Apesar das atuais dificuldades, a tendência de desaceleração não significa uma retração total na economia catarinense, mas aponta para a necessidade de atenção aos próximos meses para monitorar o ritmo de recuperação dos setores industrial, comercial e de serviços.
Os dados reforçam a importância de estratégias que contemplem a ajustabilidade diante de um cenário de juros mais altos e menor estímulo econômico, fatores que vêm influenciando o desempenho das atividades no estado.
Fonte: FIESC