Ibovespa surpreende com Fed e bate recorde
By Iris Andrade
Ibovespa fecha em alta histórica após corte de juros pelo Fed e movimento positivo dos ativos brasileiros
No dia 17 de setembro de 2025, o Ibovespa encerrou a sessão com alta de 1,06%, aos 145.593,63 pontos, o que representa um ganho de 1.531,89 pontos e o maior patamar de fechamento já registrado pela bolsa brasileira. A valorização levou o índice a superar pela primeira vez a marca de 145 mil pontos, com a máxima do dia batendo 146.330,90 pontos.
Impressão de continuidade de alta impulsionada pelo Fed
A virada positiva ocorreu mesmo com o que já vinha sendo precificado: o Federal Reserve anunciou um corte de juros de 0,25 ponto percentual. Entre os fatores citados, o comunicado reforçou perspectivas moderadas para o ambiente de juros, com o mercado reagindo de forma a equilibrar ganhos com cautela. O único voto dissidente, defendido pelo jovem diretor Stephen Miran, sugeriu um corte de 0,50 ponto percentual, provocando comentários de que a decisão trouxe divergências internas, ainda que o Fed tenha destacado a necessidade de convencer os pares com dados e argumentos.
Especialistas destacaram o efeito do chamado dot plot, que reúne as previsões dos diretores do Fed. A mediana das projeções para a taxa de fundos federais ao fim de 2025 recuou para about 3,6%, sinalizando a expectativa de quase dois novos cortes de juros ao longo de outubro e dezembro. Para 2026 e 2027, apenas mais um corte foi incluído nas projeções. Economistas ouvidos destacaram que a decisão foi vista como moderada e condizente com sinais mais fracos do mercado de trabalho, ampliando a percepção de espaço para cortes adicionais no curto prazo.
Nos EUA, os principais índices fecharam o dia mistos, com o Dow Jones em alta consistente e o Nasdaq operando no vermelho. Os comentários de Powell sobre um possível “corte de gestão de risco” foram interpretados como uma proteção contra uma desaceleração mais acentuada da economia, mas sem indicar um cenário de pânico. Enquanto isso, a queda descrita no exterior contrastou com a boa performance observada no Brasil, refletindo diferenças de cenário macro e de tempo de reação às sinalizações do Fed.
Cenário brasileiro: Copom e ações
No Brasil, o mercado aguardava a decisão do Copom sobre a Selic, com expectativa majoritária de manutenção da taxa em 15% ao ano. Os ativos locais mostraram uma reação positiva depois do anúncio internacional, com as ações de bancos e varejo registrando ganhos expressivos. Entre os destaques, Bradesco avançou 3,47% e Itaú Unibanco subiu 1,42%, Santander ganhou 2,29% e Petrobras registrou alta de 0,60%, apoiada pela recuperação de estoques internacionais de petróleo. Por outro lado, Banco do Brasil operou em queda de 0,32%. No varejo, Magazine Luiza mostrou forte valorização, com alta de 5,31%, ampliando o ganho do mês para números expressivos.
Entre os componentes do Ibovespa, Vale teve leve variação positiva, fechando com avanço de 0,17%, enquanto Petrobras manteve o viés de alta frente ao cenário de custo de energia. O mercado totalizou volume de negócios próximo de 26,1 bilhões de reais, sinalizando giro robusto para a sessão.
Dólar e câmbio
O câmbio acompanhou o cenário global, com o dólar encerrando a sessão próximo de R$ 5,30, após uma sequência de quedas, e registrando uma pequena elevação em relação ao fechamento anterior. O DXY, índice do dólar frente a uma cesta de moedas, avançou cerca de 0,32%, para aproximadamente 96,94 pontos, sinalizando uma moeda norte-americana mais firme no dia. A faixa de negociacão do câmbio durante o dia variou entre R$ 5,276 e R$ 5,313, antes de fechar perto de R$ 5,30.
Destaques da sessão
- Ibovespa: fechamento em 145.593,63 pontos (+1,06%), com máxima intradiária de 146.330,90 pontos;
- Maiores altas do dia: Magazine Luiza (MGLU3) +5,31%; RADL (Radl) +18,55%; CSAN +8,00%; BBDC4 +3,47%;
- Maiores altas entre ações pesadas do índice: Bradesco (BBDC4) +3,47%; Santander (SANB11) +2,29%; Itaú Unibanco (ITUB4) +1,42%;
- Maiores perdas entre componentes: MRFG3 -2,18%; BBAS3 -0,32%; BRKM5 -1,33%;
- Principais ativos de commodities: Vale (VALE3) +0,17%; Petrobras (PETR4) +0,60%;
- Dólar: cerca de R$ 5,30, com máxima de R$ 5,313 e mínima de R$ 5,276; DXY em 96,94 pontos (+0,32%).
Perspectivas
O mercado acompanhou com atenção os comunicados do Fed, que sinalizam espaço para cortes adicionais nos próximos encontros, o que tende a manter o diferencial de juros favorável a ativos brasileiros frente a cenários de aperto externo. No Brasil, espera-se que o Copom siga com a postura de serenidade monetária, mantendo a Selic em 15% por ora, antes de novos movimentos que possam vir a depender da evolução da inflação e do quadro fiscal. A agenda aponta para próximos desdobramentos com maior clareza sobre a política externa e as condições macro regionais.
Fonte: InfoMoney