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Iate compartilhado: luxo por preço menor

By Iris Andrade

Compartilhamento de iates ganha espaço entre empresários brasileiros

A prática de adquirir embarcações de alto valor por meio de cotas está ganhando adesão entre empresários bem-sucedidos no Brasil. Em vez da compra integral, investidores dividem a propriedade de iates, mantendo acesso exclusivo aos navios com custos reduzidos.

Caso de um empresário catarinense

O modelo chamou a atenção de Pablo Ramires, empresário do setor imobiliário de Santa Catarina, que optou pelo compartilhamento após anos observando o mercado náutico. Ele indicou que, embora tenha considerado a compra, as despesas associadas ao upkeep, marinheiro e operação costumavam encarecer o investimento.

“Tinha vontade de comprar, mas não tinha a certeza em razão dos custos.”

O barco adquirido pela empresa responsável pela operação é a Okean 52, com preço-base a partir de 11,5 milhões de reais. Com os opcionais escolhidos, incluindo um estabilizador Seakeeper, o valor do barco ficou em 12 milhões de reais. A cota adquirida por Ramires corresponde a um quarto do valor do barco.

Formato de compra e aspectos jurídicos

O sistema funciona com a criação de uma estrutura societária na qual cada cotista se torna sócio. “Eles criaram uma empresa, da qual sou sócio, e o ativo dessa empresa é a embarcação”, explicou o empresário, destacando a facilitação de futuras transações de venda ou aquisição de novas participações.

O pagamento foi estruturado em cinco parcelas, com início antes da entrega e quitação total em março, dois meses após a entrega prevista para janeiro.

Expansão do modelo no Brasil

O compartilhamento de embarcações começa a ganhar tração no país. Em junho, o Grupo Okean lançou o Concierge & Co, programa que oferece acesso compartilhado a iates de até 60 pés. O projeto foi apresentado como uma ferramenta para ativar produção e vendas, usando Itapema, em Santa Catarina, como laboratório antes da expansão para outros mercados.

Segundo Roberto Paião, CEO do Grupo Okean, a disponibilidade de barcos é alta, já que muitas embarcações ficam ociosas por longos períodos. A clientela da empresa inclui industriais, jogadores de futebol, artistas e profissionais do mercado financeiro, atraídos tanto pelo lazer quanto pela possibilidade de fechar negócios em um ambiente diferenciado.

Panorama do mercado náutico brasileiro

A procura por modelos de propriedade compartilhada ocorre em um mercado que tem passado por mudanças significativas. Desde meados de 2024, houve crescimento de 60% no segmento de iates entre 70 e 100 pés. Em contrapartida, a demanda por barcos de até 60 pés diminui, e a procura por embarcações acima de 25 milhões de reais aumenta, com valores estimados entre 70 e 80 milhões de reais para esses ativos.

Em 2024, a indústria náutica brasileira produziu cerca de 4.500 barcos, dos quais aproximadamente 10,8% foram exportados, totalizando 484 unidades. O Brasil possui 8.000 quilômetros de litoral, o que aponta para grande potencial de crescimento, apesar de desafios de infraestrutura para acomodar embarcações maiores.

Benefícios observados pelos usuários

Para quem aderiu ao modelo, o sistema de agendamento garante cinco saídas mensais por cotista, com janelas geralmente entre quarta e domingo. A logística de familiar e ajustes entre sócios é viável com planejamento antecipado.

O caso de Ramires também mostrou ganhos não apenas financeiros. A localidade da marina — em Itapema, litoral catarinense — reduziu custos para um terço do valor estimado, contribuindo para um custo fixo menor do que o previsto. Além disso, a experiência marítima proporcionou momentos marcantes para a família, fortalecendo vínculos e abrindo oportunidades de networking entre os cotistas. No âmbito corporativo, o barco passou a funcionar como um instrumento para visitas de negócios e entretenimento de clientes, ampliando possibilidades de fechamento de acordos.

Fonte: Bloomberg Línea

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