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Greve em Belém atrasa obras da COP

By Iris Andrade

BELÉM (PA) – A greve dos trabalhadores da construção civil em Belém, iniciada no dia 16 de setembro, completou oitavo dia sem acordo e continua impactando obras no entorno da COP30, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas que ocorrerá em novembro. O movimento, por tempo indeterminado, envolve cerca de 5 mil operários e atinge principalmente estruturas hoteleiras, a Vila COP30, destinada à hospedagem de chefes de Estado, e o Parque da Cidade, onde se concentram as atividades do evento.

Na segunda-feira, 22 de setembro, ocorreu nova rodada de negociações no Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. Em assembleia realizada diante do órgão, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Belém (STICMB) apresentou uma contraproposta de reajuste salarial.

Os trabalhadores reivindicam reajuste de 8% nos salários, cesta básica no valor de R$ 250, participação nos lucros e resultados (PLR) de R$ 350, retomada do pagamento no dia 30 de cada mês, manutenção das cláusulas sociais e atendimento às reivindicações das mulheres trabalhadoras. A patronal permaneceu irredutível, mantendo a negociação sem avanços até o momento.

Nesta terça-feira, 23, a mobilização seguiu com blitz e piquetes nos principais canteiros de obras da capital. A liderança sindical também comentou que a patronal tenta desmobilizar a greve por dentro, enviando mensagens para que os operários voltem ao trabalho após a saída do sindicato; alguns, temendo pela estabilidade no emprego, acabam cedendo. Em resposta, novas assembleias foram realizadas e a greve foi ratificada.

Horas antes, ainda na segunda-feira, o movimento denunciou que a empresa Círculo Engenharia, responsável por uma das obras da COP30, contratou seguranças privados para impedir o acesso de representantes sindicais aos canteiros. Segundo o sindicato, a medida restringe a fiscalização e o diálogo sobre direitos trabalhistas, aumentando a insatisfação da categoria.

Reivindicações da categoria

A paralisação teve início após a rejeição da proposta patronal de reajuste de 5,5% e acréscimo de R$ 10 na cesta básica. Entre as principais reivindicações estão:

– reajuste salarial de 9,5%,
– aumento da cesta básica para R$ 270,
– pagamento quinzenal,
– PLR em duas parcelas de R$ 378,
– classificação profissional direta para mulheres operárias, eliminando a figura de “meio oficial”.

Segundo o Dieese, o custo da cesta básica no momento é de R$ 687,30, valor mais que o dobro do oferecido pela patronal, o que sustenta a argumentação dos trabalhadores sobre a necessidade de revisão das propostas.

Obras afetadas e acordos separados

Entre os locais impactados está a Vila COP30, no bairro Marco, com 19 mil metros quadrados distribuídos em cinco blocos — quatro destinados à hospedagem de chefes de Estado e delegações, e um bloco administrativo. Quatro blocos já estão próximos da conclusão, e a greve pode atrasar a entrega programada para novembro, com previsão de ocorrer entre os dias 6 e 10, pouco antes da conferência climática.

O Parque da Cidade, palco das reuniões da COP, também registra atrasos parciais. O espaço foi fechado ao público em agosto para a montagem simultânea da Blue Zone (delegações oficiais) e da Green Zone (sociedade civil).

Além da Vila e do Parque, obras de hotéis de grande porte, incluindo empreendimentos de bandeiras internacionais, também foram afetadas pela paralisação. Diante da urgência da COP30, algumas empresas buscaram acordos diretos com o sindicato. Recentemente, a Don Engenharia e suas terceirizadas, responsáveis pela obra do Mix Mateus, firmaram acordo coletivo garantindo reajuste de 8% nos pisos salariais, cesta básica de R$ 210, PLR de R$ 354, pagamento regular até o dia 30 de cada mês e manutenção de todas as cláusulas sociais.

Contexto econômico e social

A paralisação ocorre em um momento de alta demanda por hospedagens em Belém, gerando preocupação logística para a COP30. A cidade enfrenta uma crise de hospedagem, com preços elevados e disponibilidade reduzida de quartos, situação que pode ser agravada por atrasos nas construções.

O sindicato patronal, Sinduscon-PA, afirmou que os índices propostos representam ganhos reais aos trabalhadores diante do cenário econômico, anunciando que utilizará instrumentos legais caso a greve persista. Por sua vez, a Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop) informou que as obras da COP30 seguem dentro do cronograma previsto, mesmo com a paralisação.

Fonte: Cenarium

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