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Governo e setor privado aprovam tributos

By Iris Andrade

Governo e setor privado avançam rumo a acordo sobre tributação de investimentos considerados-chave pelo mercado

A articulação entre o governo federal e o setor privado tem ganhado consistência em torno de uma mudança tributária voltada a ativos de renda fixa que recebem o apelido de “queridinhos” do mercado. O objetivo é ampliar a base de tributação sobre esses instrumentos, com foco em instrumentos de crédito que hoje gozam de tratamento diferenciado. As avaliações indicam que um acordo parcial já está próximo, com ajustes a serem definidos nos próximos meses.

Entre os itens em discussão está a tributação de Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). Até o momento, esses papéis gozam de isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas, o que os torna atrativos para investidores. A proposta em tramitação prevê que esses instrumentos passem a ter tratamento fiscal similar a outros rendimentos, em linha com a agenda de reforma tributária que busca aumentar a contribuição de diferentes ativos para o financiamento público.

Analistas próximos às tratativas ressaltam que o tema envolve equilíbrio entre estímulo ao investimento e necessidade de arrecadação, com impactos diretos sobre o custo de capital de financiamentos imobiliários e de operações no agronegócio. O governo tem sinalizado que mudanças podem ocorrer gradualmente, para amenizar impactos sobre o mercado e manter previsibilidade para emissores e investidores.

Do lado privado, representantes de grupos empresariais e associações têm defendido a construção de regras claras, com prazos de transição e exceções onde cabível. A discussão, que envolve equipes técnicas e formuladores de políticas, tem como objetivo fechar um pacote que subsidie o crescimento econômico sem reduzir a atratividade de investimentos mais estáveis.

Contexto e próximos passos

  • As tratativas ocorrem em meio a um cenário de busca por maior equidade tributária entre diferentes tipos de investimentos, sem desincentivar operações de crédito de baixo risco.
  • Esforços para revisar a tributação de ativos ligados ao setor imobiliário e ao agronegócio dialogam com propostas de reforma tributária mais ampla, em análise no governo e no Congresso.
  • Especialistas destacam que eventuais mudanças deverão considerar fases de transição, impactos sobre a renda de indivíduos e o funcionamento de fundos de investimento.

À medida que as conversas avançam, os setores envolvidos devem apresentar propostas técnicas detalhadas sobre alíquotas, frequência de cobrança e mecanismos de fiscalização, com o objetivo de convergir para um formato final que seja viável fiscalmente e previsível para o mercado.

Estadão

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